Aumenta para mais de 34 mil número de mortos em Mianmar

ONU estima que 60 mil podem ter morrido na passagem do ciclone; ajuda ainda é distribuída com dificuldade

The New York Times,

13 de maio de 2008 | 15h35

A televisão estatal de Mianmar elevou nesta terça-feira, 13, para mais de 34 mil o número de mortos pelo ciclone Nargis e mais de 27 mil desaparecidos, reportou a agência Associated Press. As cifras aumentam diariamente, enquanto mais desaparecidos são dados como mortos. As Nações Unidas estimam que mais de 60 mil podem ter morrido no desastre, que ocorreu no dia 3. Veja também:ONU diz que vítimas de ciclone em Mianmar não recebem ajudaMinistros da UE realizam reunião sobre ajuda para MianmarPrimeiro avião dos EUA com ajuda chega a Mianmar Ainda nesta terça-feira, especialistas e diplomatas reforçaram o alerta na capital Yangon de que o governo do país pode não estar distribuindo a ajuda humanitária - tarefa que mantém sob sua responsabilidade. Em Bruxelas, o chefe de Política Externa da União Européia (UE), Javier Solana, anunciou que se o governo de Mianmar continuar a barrar o auxílio, os doadores internacionais arrumarão um jeito de enviar ajuda de qualquer maneira. "Temos que usar todos os meios para ajudar aquelas pessoas", disse Solana. "As Nações Unidas tomarão algumas medidas se a situação não puder ser resolvida para o despacho da ajuda." Dez dias após o devastador ciclone, a junta militar que governa o país diminuiu levemente as restrições para a assistência internacional, mas continua bloqueando a maior parte dos envios de larga escala de suprimentos, dizem os oficiais das equipes de ajuda.  Aumentando as dificuldades, centenas de milhares de pessoas que precisam de socorro urgente estão em áreas remotas e inacessíveis, nas regiões da costa e do delta. Progressos Ainda assim, os doadores internacionais conseguiram algum progresso no envio de ajuda. Outros dois aviões americanos, carregados com auxílio humanitária, chegaram na região nesta terça-feira. Os Estados Unidos anunciaram que estão negociando com o governo de Mianmar para expandir o programa de doações. Mas um diplomata americano em Yangon, Shari Villarosa, disse que a junta não autorizou que equipes de busca dos EUA e especialistas em desastres entrem no país. Os Estados Unidos conduzem uma missão militar na região, conjunta com a Tailândia, que conta com 11 mil soldados e vários navios. Villarosa ainda afirmou que equipes de emergência da China, Bangladesh, Cingapura e outros países estão sendo impedidas de entrar em Mianmar. Na segunda-feira, o presidente americano George W. Bush criticou a lenta resposta do governo de Mianmar diante da preocupante situação do país. "Isso aconteceu há dias, e não nos foi dito quantas pessoas perderam suas vidas, como resultado de uma resposta demorada", disse o líder dos EUA em entrevista à rede CBS. "Um avião americano finalmente chegou à região, mas a reposta não é boa o bastante." Apesar de oficiais da ONU criticarem a posição do governo, porta-vozes de vários grupos de ajuda, claramente preocupados com o tom áspero desses discursos, adotaram um tom de esperança cautelosa. "Nós estamos otimistas que as restrições serão relaxadas", disse Rigoberto Giron, porta-voz do grupo Care, de Atlanta.

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