Arnd Wiegmann/Reuters
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Aumenta pressão para que Strauss-Kahn deixe chefia do FMI

Ministras da Áustria e da Espanha disseram que diretor-gerente deveria considerar decisão

BBC

17 de maio de 2011 | 12h24

PARIS - Duas ministras das finanças europeias pediram nesta terça-feira, 17, que o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, considere a possibilidade de deixar o cargo por causa das acusações de abuso sexual que enfrenta nos EUA. O francês foi preso em Nova York no sábado depois que uma camareira do hotel onde ficou hospedado o acusou de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro. Na segunda-feira, uma juíza negou a ele a liberdade sob pagamento de fiança.

 

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"Não comento decisões judiciais. Mas considerando a situação, com a fiança negada, ele próprio deve avaliar se está prejudicando a instituição", disse a ministra das Finanças da Áustria, Maria Fekter. Ela se mostrou preocupada com a possibilidade de que, independentemente da decisão legal, a detenção de Strauss-Khan crie um obstáculo prático para sua função de negociar pacotes de resgate financeiro para Portugal e Grécia, países que enfrentam dificuldades financeiras.

A ministra espanhola das Finanças, Elana Salgado, afirmou o diretor do FMI enfrenta "acusações muito sérias" e que compete a ele agora decidir se irá ou não se desligar do cargo. Segundo ela, a suposta vítima do ataque merece apoio "se tiver mesmo sofrido um ataque". "Se tivesse que mostrar solidariedade e apoio para alguém, seria para com a mulher que foi atacada", disse.

Apoio

Por outro lado, o diretor-gerente do FMI recebeu também manifestações de solidariedade. O primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, um amigo declarado de Strauss-Khan, disse estar "muito triste". "Não gosto das imagens que vi na TV", disse. Já a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, descreveu as acusações contra ele como "arrasadoras e dolorosas".

A presidente do partido Socialista, Martine Aubry, pediu para que Strauss-Kahn seja considerado inocente até que seja provado o contrário e a esposa do diretor do FMI, Anne Sinclair, disse acreditar na inocência do marido.

Por meio de um comunicado, o FMI disse ter recebido detalhes das acusações e que "segue monitorando" os fatos. O diretor do FMI, de 62 anos, era considerado um dos favoritos para concorrer à Presidência francesa no ano que vem pelo partido Socialista.

Na segunda-feira, também surgiu mais uma acusação contra Strauss-Kahn. A escritora francesa Tristane Banon, de 31 anos, afirma que poderá entrar com uma denúncia devido a uma suposta agressão sexual em 2002.

 

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