Aumenta pressão para que Zimbábue adie eleições presidenciais

Aumentavam na terça-feira, dentro daÁfrica, as pressões para que o presidente do Zimbábue, RobertMugabe, adiasse as eleições marcadas para o dia 27 de junhodepois de o Conselho de Segurança da Organização das NaçõesUnidas (ONU) ter adotado, pela primeira vez, um textocondenando a prática no país de atos violentos contraopositores. Tanto o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, quanto JacobZuma, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA, quecontrola a África do Sul atualmente), disseram que o segundoturno das eleições presidenciais deveria ser suspenso depois deMorgan Tsvangirai, candidato da oposição, ter se retirado dadisputa e buscado abrigo na Embaixada da Holanda em Harare. Em um comunicado, Wade afirmou que Tsvangirai tinhaprocurado abrigo depois de receber informações sobre a chegadaiminente de soldados a sua casa. "Ele só está em segurançaporque, alertado por amigos, saiu correndo dali alguns minutosantes", afirmou Wade. Zuma, um adversário do presidente sul-africano, ThaboMbeki, defendeu a intervenção urgente da ONU e da Comunidadepara o Desenvolvimento da África Austral (SADC), afirmando quea situação no Zimbábue encontra-se fora de controle. "Para o CNA, o segundo turno não representa mais umasolução. Os senhores precisam antes selar um acordo políticopara então realizar eleições", disse Zuma. Os 15 países que integram o Conselho de Segurança repetirama preocupação cada vez maior da comunidade internacional com ainstabilidade política e a crise econômica no Zimbábue,problemas atribuídos pela oposição e pelo Ocidente a Mugabe,84, no poder há 28 anos. A África do Sul, a China e a Rússia, que haviam antesimpedido que o órgão adotasse qualquer medida a respeito doZimbábue, aceitaram o texto condenando de forma unânime oderramamento de sangue naquele país. Tsvangirai não pediu asilo, mas passou uma segunda noite naembaixada holandesa, na segunda-feira. No dia seguinte, ooposicionista afirmou à Rádio 1, da Holanda, estar no local emcaráter temporário e que o governo havia dado garantias aoembaixador da Holanda sobre a segurança dele. O ex-candidato à Presidência afirmou que sairia do localdentro de alguns dias e que Mugabe não poderia mais desafiar aopinião pública internacional. Os chanceleres dos países-membros da SADC discutiram acrise em um encontro realizado na segunda-feira, em Luanda(capital de Angola). A agência angolana de notícias Angop disse que, segundo osecretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, a comunidade haviaconcordado com Tsvangirai sobre existir um "clima de extremaviolência" no Zimbábue e sobre o governo precisar proteger seuscidadãos. Em um texto que não tem poder de lei, o Conselho deSegurança condenou a "campanha de violência contra a oposiçãopolítica, o que resultou no assassinato de vários ativistas daoposição e de outros zimbabuanos, além do espancamento demilhares de pessoas, entre as quais mulheres e crianças, e aexpulsão delas de suas casas." (Reportagem adicional de Marius Bosch, Muchena Zigomo, PaulSimao e Stella Mapenzauswa em Johanesburgo)

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