Aumenta pressão para renúncia de premier iraquiano

As pressões para que o primeiro-ministro iraquiano, o xiita Ibrahim al-Jafari, renuncie, aumentaram neste domingo depois que funcionários curdos e xiitas disseram que o novo parlamento iraquiano está preparado para funcionar. Nos últimos dias, uma onda de violência sectária complicou as negociações sobre a formação do novo governo, já que impediu que o parlamento se reunisse. As eleições aconteceram no dia 15 de dezembro, mas o pleito só foi certificado no mês passado. Como bloco majoritário no Congresso, a Aliança Unida Iraquiana, de maioria xiita, deve definir a formação do novo governo, mas ainda não conseguiu fazê-lo porque precisa negociar o apoio de outras facções. Sunitas, curdos e alguns partidos laicos estão pressionando a aliança xiita para que retire a nominação de Al-Jafari para primeiro-ministro do novo governo. Ele ocupa o cargo desde que assumiu o governo de transição em abril de 2005. A minoria sunita responsabiliza Al-Jafari por não controlar os milicianos xiitas que atacaram mesquitas e clérigos sunitas depois de um atentado à bomba, em 22 de fevereiro, contra um santuário xiita na cidade de Samara, no centro do país. O líder do principal bloco sunita, Jalaf al-Olayan, afirmou que o país "vai de mau a pior". Na manhã deste domingo a polícia iraquiana reportou que milícias ligadas ao ministério do Interior iraquiano, controlado pelos xiitas, atacaram uma mesquita sunita no oeste de Bagdá, matando três pessoas e ferindo outras sete em uma troca de tiros que durou 25 minutos. Mais tarde, dois parentes de um influente líder sunita foram mortos. O ministério do Interior negou envolvimento em ambos os casos. Os curdos, que também fazem pressão pela renúncia de Al-Jafari, estão insatisfeitos com a demora do premier para definir o controle sobre a cidade de maioria curda de Kirkuk, rica em petróleo. O presidente iraquiano Jalal Talabani, também um curdo, entrou na polêmica no sábado, dizendo que a Aliança Xiita deveria escolher um outro candidato em nome do consenso. "Eu quero ser claro: não somos contrários à pessoa de Al-Jaafari. Ele é meu amigo há 25 anos", disse Talabani. As autoridades norte-americanas sustentam que um governo de unidade que inclua todos os setores religiosos e étnicos do país é fundamental para estabilizar o Iraque e permitir que as forças estrangeiras se retirem nos próximos meses.

Agencia Estado,

05 Março 2006 | 14h21

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