Aumenta pressão pelo uso de forças terrestres no Afeganistão

O uso de tropas terrestres no Afeganistão parece cada vez mais inevitável, já que enquanto o Congresso parece disposto a aceitá-lo e os EUA se resignam a aceitar o risco de um novo Vietnã, o Pentágono projeta a criação de uma primeira base avançada no norte do Afeganistão, para ser usada como ponte na guerra contra os talebans e os terroristas da Al-Qaeda. A base, segundo fontes do Pentágono citadas pelo USA Today, deveria ser protegida por pelo menos 600 soldados. Deste posto de vanguarda sairiam mais facilmente e com maior eficiência as operações do comando norte-americano (com a participação de até 300 membros de forças especiais) baseadas no rápido deslocamento com helicópteros. A base avançada teria como tarefa dar proteção, segurança, assistência médica, víveres, combustíveis, auxílio rápido e retirada das forças especiais. A utilização de tropas terrestres havia sido excluída inicialmente pelo Pentágono, que havia estabelecido a campanha militar no Afeganistão baseada na guerra aérea e as operações rápidas e breves das forças especiais. Mas a lentidão dos progressos para desmantelar o regime do Taleban (as tão esperadas deserções ainda não aconteceram) e a falta de êxitos visíveis na caça aos terroristas da Al-Qaeda reabriram a porta ao uso das forças terrestres. O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, repetiu hoje que "não exclui" o uso de tropas de terra. Mas numerosos membros do Congresso já começaram a definir como "inevitável" este tipo de intervenção, com todos os riscos que pode implicar. "A campanha terrestre se tornou inevitável - reconheceu o senador republicano John McCain -, deveríamos criar bases no Afeganistão que deverão ser protegidas, por um período de tempo que espero ser breve, por uma quantidade significativa de soldados dos EUA". O líder democrata da Câmara, Dick Gephardt, aprovou a escalada. "Se o presidente George W. Bush chegar à conclusão de que para ganhar a guerra é preciso enviar tropas terrestres ao Afeganistão - afirmou -, terá meu total apoio". O senador democrata Christopher Dodd reconheceu que serão necessários "milhares de soldados" para ganhar a guerra contra a Al-Qaeda no Afeganistão. Outro senador democrata, Joseph Biden, membro influente da comissão de Relações Exteriores, reconheceu que os bombardeios e as forças especiais, sem a intervenção maciça de tropas, não serão suficientes para vencer os terroristas no Afeganistão. Leia o especial

Agencia Estado,

29 Outubro 2001 | 19h39

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