Aumentam diferenças entre Chávez e empresários

As possibilidades de que o governo do presidente Hugo Chávez e a maior organização empresarial do país cheguem a um entendimento ou, até mesmo, a uma trégua precária continuam sendo quase nulas um dia depois da maior greve geral de que se tem memória na Venezuela. A paralisação de 12 horas em Caracas tornou-se mais drástica na segunda-feira graças à adesão ao movimento por parte dos bancos, comércio, escolas e universidades públicas e privadas. A greve foi convocada pelas maiores organizações empresariais e sindicais, em protesto contra a aprovação de leis que, segundo afirmam, foram impostas pelo governo do presidente Hugo Chávez sem consultar os setores afetados.Desde que Chávez divulgou em novembro seu polêmico pacote de 49 leis que - dizem os empresários - afetam os investimentos, aumentam o controle estatal e ameaçam a propriedade privada, as posições de um e de outro lado parecem irreconciliáveis. "Ambas as partes não se cansam de manifestar de maneira estridente a necessidade de que seja o outro lado que reconsidere (suas posições), frustrando, assim, qualquer possibilidade de alívio na confrontação", disse o cardeal Ignacio Velasco, máxima autoridade da Igreja Católica na Venezuela.Para o cardeal, as coisas devem ser resolvidas através do "diálogo e o exercício da tolerância". "Em um país livre e democrático, qualquer cidadão pode opinar sobre temas que interessam a todos nós e o mínimo que podemos esperar é que imediatamente após a crítica não haja uma enxurrada de ameaças, e que nenhuma das partes se negue a dialogar", acrescentou o religioso.ImprensaChávez, que freqüentemente acusa os donos e editores dos principais meios de comunicação de mentir para desacreditar seu governo, culpou a imprensa de promover a greve geral e ameaçou decretar uma lei que regule o conteúdo das notícias pelo rádio e a televisão. Também revelou sua intenção de apontar as empresas que negociam com o Estado e que aderiram à greve como parte de sua campanha contra os empresários - aos quais acusou de pertencerem a um "oligarquia covarde" que tenta derrubá-lo."Querem briga, terão briga", disse o mandatário venezuelano.Chávez ameaçou ainda fazer uma revisão sobre "quantos dos bancos que aderiram à greve administram fundos do Estado e quantas das empresas" que paralisaram seus trabalhos prestam serviços ao governo. Quanto à Federação de Câmaras da Venezuela - a poderosa Fedecámaras -, uma das organizadoras da greve, Chávez assegurou que não dialogará. ?Jamais irei aonde me convidarem", disse. O presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, manifestou seu "assombro" diante do virulento discurso de Chávez, mas disse que ainda tem esperanças de que o presidente se mostre mais conciliador. Carmona advertiu: "Se esta posição (de Chávez) for definitiva, ele estará fechando todos os caminhos, e não é isto que queremos".

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