Aumentam resistências européias a ataque contra Iraque

A aliança ocidental que funcionou no Afeganistão dificilmente será refeita se o presidente americano, George W. Bush, decidir atacar o Iraque de Saddam Hussein. As reticências dos países europeus, entre eles França e Alemanha, têm sido cada vez mais sérias sobre uma eventual ofensiva para derrubar o ditador de Bagdá. Há hesitações também consideráveis na Grã Bretanha, onde o primeiro-ministro Tony Blair, atualmente em férias no sul da França, é fiel aliado de Bush, pronto a acompanhá-lo nessa nova aventura bélica. Agora, Blair não pode mais ignorar uma petição de cristãos praticantes - cujo primeiro signatário é o novo arcebispo da Cantuária, Rowan Williams - que se opõem à intervenção. O texto deplora que "os países mais poderosos do planeta continuem a considerar como instrumento aceitável da diplomacia a violação dos princípios morais defendidos pela ONU e os ensinamentos da Igreja". Mesmo os conservadores britânicos estão divididos sobre as conseqüências econômicas da iniciativa - como a possível explosão dos preços do petróleo. O diretor do Instituto Oxford de Estudos de Energia, Robert Mabro, acha que se Bush ganhar a batalha e derrubar Saddam, a explosão de preços não vai durar muito, mas a volatilidade poderá permanecer diante das incertezas sobre a nova direção do Iraque. Basta falar em guerra com o Iraque e o preço sobe acima dos US$ 25 o barril - cotação atual e já bastante elevada. O contraste em relação a outras matérias-primas - cobre, níquel, alumínio -, atualmente com preços deprimidos, é significativo. Mas a oposição à guerra é mais política do que econômica na Grã-Bretanha. A hostilidade é forte também na ala esquerda do Partido Trabalhista e uma grande parte do movimento sindical que se mobiliza, restringindo a margem de manobra de Blair. A oposição mais contundente vem da Alemanha, onde o chanceler Gerhard Schroeder exclui todo apoio alemão a um ataque unilateral americano ao Iraque. Hoje, o chanceler alemão se mostra mais prudente em sua solidariedade a Bush. Recentemente, na cúpula franco-alemã de Schwerin, Schroeder e o presidente francês, Jacques Chirac, excluíram participação de seus países sem um sinal verde da ONU. No lançamento de sua campanha eleitoral, Schroeder foi mais longe ao afirmar que a Alemanha não está inclinada a participar de "passa-tempos guerreiros", afastando mesmo um eventual apoio financeiro como no passado, quando sua presença militar era substituída por doações.

Agencia Estado,

07 Agosto 2002 | 20h47

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