Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2011 | 00h00

A primeira reação na França quando Dominique Strauss-Kahn foi preso por suposta violência sexual contra uma camareira da rede francesa de hotéis Sofitel, em Nova York, em 14 de maio, foi de incredulidade. Para 54% da opinião pública, a atitude seguinte foi de dúvida. Então, surgiram as teorias de conspiração contra o favorito na corrida ao Palácio do Eliseu em 2012.

Nesta semana, um novo personagem do caso realimentou as hipóteses conspiratórias: René- George "Jo" Querry, diretor de segurança do Sofitel. Ex-agente de polícia promovido na hierarquia após participar do assassinato de Jacques Mesrines - inimigo público número 1 do país nos anos 70 -, Jo galgou postos até circular na cúpula do poder. Em 14 de maio, assistia ao jogo Lille x PSG, no Stade de France, ao lado de Nicolas Sarkozy. Durante o evento, Strauss-Kahn foi preso nos EUA. Foi Jo quem se encarregou de alertar o Palácio do Eliseu sobre a desgraça do socialista.

Segundo o Journal de Dimanche, na semana passada Jo deixou a direção de segurança do Sofitel e tem agora um novo emprego nas empresas de Vincent Bolloré - um dos amigos de Sarkozy no meio empresarial.

"Muita coisa não está clara no comportamento dos dirigentes do Sofitel e do grupo Accor, e pode haver conexões entre o grupo Accor antes ou após o caso", afirmou o deputado socialista François Loncle, um dos que parece acreditar na história. O próprio histórico de Sarkozy não ajuda. Por duas vezes em seu mandato o Palácio do Eliseu foi acusado de usar os serviços secretos para espionar adversários. Além disso, é cercado de ex-policiais - ele próprio foi ministro do Interior, o chefe da polícia da França.

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