REUTERS/Carlo Allegri
REUTERS/Carlo Allegri

EUA respondem por 20% dos novos casos de coronavírus em todo o mundo

Especialista da Casa Branca afirma que país ainda enfrenta a primeira onda de infecções e que outras devem vir na sequência; médicos já consideram que os americanos vão ter de conviver com o vírus durante um tempo que não pode ser estimado

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 14h58
Atualizado 23 de junho de 2020 | 10h38

WASHINGTON - Os EUA já são responsáveis por 20% de todos os novos casos de coronavírus no mundo, de acordo com levantamento do New York Times. As infecções continuam a crescer em Estados do Sul e da Costa Oeste americana. No domingo, Oklahoma e Missouri relataram recorde de contaminações. Nesta segunda-feira, 22, a Flórida atingiu a marca de 100 mil casos de covid-19.

Alguns epidemiologistas, como Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, que comanda a força-tarefa da Casa Branca, garantem que a pandemia está longe do fim. “Não dá para falar em segunda onda, porque ainda estamos na primeira”, disse Fauci.

Outros especialistas, como Michael Osterholm, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), já não falam mais na possibilidade de segunda onda de infecções e acreditam que a população terá de conviver com o vírus por um longo período. “Não acho que o vírus vai desacelerar. Não teremos uma, duas ou três ondas. O que veremos é um longo e complicado incêndio florestal de casos”, disse Osterholm no domingo, ao programa Meet the Press, da NBC.

Mas a preocupação das autoridades sanitárias não parece ser a mesma do governo americano. Na semana passada, o presidente Donald Trump afirmou que a pandemia estava “desaparecendo”. No sábado, em discurso em Tulsa, no Estado de Oklahoma, ele voltou a minimizar a gravidade da crise e fez piadas sobre o coronavírus, chamando-o de “kung-flu” (flu significa gripe, em inglês) – uma referência à China, onde teve início o surto de covid-19.

O presidente disse ainda que havia pedido que a testagem para o coronavírus fosse reduzida nos EUA. “Se você faz muitos testes, vai encontrar mais pessoas e mais casos. Então, eu disse ao meu pessoal: Diminuam os testes, por favor”, afirmou Trump. Mais tarde, Kayleigh McEnany, porta-voz da Casa Branca, disse que o comentário foi uma “brincadeira”. 

Na segunda, Trump voltou a tocar no assunto – e não parecia estar brincando. “Estamos fazendo um trabalho muito bom. A razão pela qual temos mais casos é porque fazemos mais testes”, disse em entrevista ao repórter Joe St. George, da rede Scripps. 

O argumento é o mesmo usado por Ron DeSantis, governador republicano da Flórida, um dos maiores aliados de Trump. Diante do aumento de casos no Estado, DeSantis culpou a quantidade de testes. Um dos últimos a decretar quarentena e um dos primeiros a retomar as atividades econômicas, DeSantis já responsabilizou também os trabalhadores rurais, a maioria imigrantes, por espalharem o vírus.

Na segunda, porém, Michael Ryan, diretor executivo do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), disse que o aumento dos testes não está impulsionando o aumento de casos. “As hospitalizações também estão aumentando, as mortes estão crescendo e elas não têm relação com os testes.” 

 

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