Aumento no número de imigrantes na Hungria piora relação do país com a Croácia

Os imigrantes continuavam a chegar em massa à Hungria neste sábado, enquanto a Croácia seguia transportando-os para a fronteira, levando a uma disputa diplomática entre os dois países e ressaltando as diferenças nas estratégias de ambos para lidar com a crise.

Estadão Conteúdo

19 Setembro 2015 | 08h32

A Hungria deteve 7.852 imigrantes na sexta-feira, bem mais que as algumas centenas de retidos nos três dias anteriores, segundo a polícia. Até a manhã de sábado, 3.065 imigrantes entraram na Hungria ao longo da noite, a maioria através da Croácia, acrescentou a polícia.

Os imigrantes receberam permissão para entrar em território húngaro em postos de controle oficiais, apesar de que o país terminou de fazer uma cerca na fronteira com a Croácia durante a noite. Para lidar com o fluxo, o Ministério da Defesa húngaro disse que estava convocando alguns reservistas voluntários para substituir soldados envolvidos em tarefas relacionadas com a construção da cerca ou com exercícios militares. "O país precisa ser defendido", afirmou neste sábado o premiê húngaro, Viktor Orban. "Nós queremos defender nosso estilo de vida."

A crise piora a relação entre Hungria e Croácia, com autoridades dos dois lados trocando acusações. Budapeste acusa Zagreb de não cumprir suas obrigações internacionais relativas ao tratamento de imigrantes que obrigam os países europeus a processar os pedidos de asilo. Mas a Croácia disse que o fluxo de imigrantes era muito grande e, apesar de não haver um acordo com os húngaros, os imigrantes continuarão a ser mandados para a fronteira da Hungria, disse o primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic.

A Hungria tem utilizado trens e ônibus para levar imigrantes a vários pontos próximos da fronteira austríaca. A maioria deles, a partir daí, continua sua jornada até a Áustria.

Na sexta-feira, a Croácia enviou sem aviso anterior mais de mil imigrantes para a Hungria, com cerca de 40 policiais armados escoltando-os. Um porta-voz do governo húngaro acusou o país vizinho de "entrar em colapso" em apenas um dia, enquanto a Hungria aguenta o fluxo constante de imigrantes há nove meses.

Os imigrantes também aparecem agora em maior número na fronteira húngara com a Eslovênia. O governo esloveno disse na sexta-feira que criará corredores para essas pessoas através de seu território, pois não teria como registrar e processar todos os pedidos de asilo.

A Hungria defende que a Europa aplique seus procedimentos padrões para o fluxo de imigrantes, que geralmente prevê que eles fiquem meses no primeiro país em que chegam na União Europeia, enquanto são avaliados seus pedidos de asilo. A Alemanha, destino preferido dos imigrantes, inicialmente acolheu todos os refugiados vindos da Síria, mas no último fim de semana impôs controles fronteiriços.

Os imigrantes tentam evitar a Hungria desde 15 de setembro, após o país construir uma cerca em sua fronteira com a Sérvia e colocar em vigor leis mais rígidas sobre a imigração, punindo a entrada ilegal no país com até três anos de prisão. Ao longo da sexta-feira para o sábado, a Hungria concluiu a construção de uma cerca com arame farpado em partes de suas fronteiras com a Croácia que não têm rios. Budapeste planeja ainda fazer uma segunda "linha de proteção".

O ministro das Relações Exteriores sérvio, Ivica Dacic, disse neste sábado à televisão estatal que seu país, que não é membro da UE, pode fazer pouco para parar os imigrantes. Segundo ele, "infelizmente", a Sérvia está entre duas diferentes áreas do bloco europeu: de um lado Grécia de Bulgária, onde os imigrantes cruzam sem fazer os registros necessários, e do outro Hungria e Croácia, que fecham rodovias e constroem cercas. O ministro disse que 150 mil pessoas já cruzaram o território do país, mas apenas 600 deles pediram asilo na própria Sérvia. Fonte: Dow Jones Newswires.

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