Aumento salarial de Sarkozy gera piada e irritação na França

O presidente Nicolas Sarkozy foiduramente criticado na quarta-feira pelos franceses por se darum aumento salarial de 140 por cento, enquanto grande parte dapopulação se aflige com os preços do pão, do leite e do queijo. Os parlamentares aprovaram na noite de terça-feira oaumento do salário presidencial de 8.457 euros (cerca de 12,2mil dólares) para 19.331 euros por mês, equiparando seusrendimentos aos do primeiro-ministro François Fillon. O governo diz que faltava transparência à forma anterior depagamento, já que a presidência usava verbas de várias rubricaspara complementar o salário oficial. Mas o momento da medida não poderia ser pior, pois ossindicatos já estão indignados com ameaças a antigosprivilégios do funcionalismo público, e as famíliastrabalhadoras se queixam da carestia. "O efeito é desastroso", disse o deputado socialista ArnaudMontebourg ao jornal Le Monde. "É um insulto à pobreza",afirmou. Dados divulgados na quarta-feira mostraram que o preçorecorde do petróleo e o forte aumento no custo da cesta básicalevaram a confiança do consumidor a seu menor nível nos últimossete meses. "A ligação entre o aumento na renda do presidente e aestagnação do poder de compra dos franceses é especialmentechocante", disse outro deputado socialista, Jean Launay. O "Les Guignols", popular programa de sátira política commarionetes, não perdeu tempo. Mostrou o presidente de óculosescuros e procurando uma casa de luxo na Córsega, ilhamediterrânea onde ele acaba de passar dois dias. Questionado sobre a conveniência do aumento nesta hora, oboneco de Sarkozy responde: "Agora é um grande momento, se euencontrar o terreno para uma mansão hoje e começarmos as obrasde construção, ela estará pronta até o verão." Claude Gueant, chefe de gabinete do Palácio do Eliseu,minimizou o caso, dizendo estar convencido de que "o povofrancês acha normal que o presidente ganhe o mesmo que oprimeiro-ministro", já que ele tem "uma excepcional quantidadede responsabilidade." O próprio Sarkozy disse a jornalistas na Córsega queganhava mais como ministro do Interior, e sugeriu que seusantecessores complementavam sua renda usando o orçamento dapresidência. "Eu só quis introduzir alguma transparência. Atéagora, o presidente da República estabelecia seu própriosalário", disse ele ao Le Monde. Na sátira do "Les Guignols", o primeiro-ministro assina ocheque para pagar Sarkozy, mas faz um pedido: "Dá parasegurá-lo? É que as coisas estão um pouquinho apertadasatualmente..."

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