Aura de presidente normal durou pouco tempo

Cenário: Gilles Lapouge

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2012 | 03h09

Na terça-feira, às 11h56, uma mensagem de 140 toques, um tuíte, surgiu. No Palácio do Eliseu, um dos conselheiros próximos do presidente eleito François Hollande balbuciou: "Estou petrificado! Esperava crises governamentais, mas não conjugais!". O tuíte fora enviado pela "companheira" de François Hollande, Valérie Trierweiler, ou seja, a primeira-dama da República. E continha uma bala explosiva. Contra quem? Contra a ex-mulher desse mesmo presidente, Ségolène Royal, que perdeu as eleições presidenciais anteriores para Nicolas Sarkozy.

Após essas eleições de 2007, o casal Hollande/Royal, que tinha quatro filhos, separou-se. Hollande iniciou uma relação com uma uma jornalista da revista Paris-Match, Valérie. Este ano, Ségolène apresentou-se nas eleições legislativas, na cidade de La Rochelle. No primeiro turno, no domingo, ela obteve um resultado mediano que poderá virar uma derrota na próxima semana. Isso porque um outro candidato socialista, Olivier Falorni, manteve sua candidatura apesar da presença dela.

Toda a máquina socialista foi acionada para dar apoio a Ségolène e esmagar Falorni. Pediram a ele que abandonasse a disputa, mas Falorni rejeitou. Toda a nata do partido viajou a La Rochelle para apoiar Ségolène. O presidente Hollande declarou seu apoio à sua ex-mulher. Neste momento, o tuíte de Valérie surgiu: "Desejo coragem a Olivier Falorni, que bem o merece, que luta ao lado dos moradores de La Rochelle há tantos anos e cujo envolvimento é desinteressado".

Portanto, um golpe direto contra Ségolène. Como interpretar isso? Ciúme feroz da nova companheira? Vontade de Valérie de mostrar que não será uma figura decorativa? Quem imaginaria que o amável, doce, civilizado, tranquilo e pouco "donjuanesco" François Hollande ficaria, desde que assumiu o poder, dividido entre duas damas que compartilham ou compartilharam sua vida? Quem teria imaginado que o Palácio do Eliseu, desde que passou a ser ocupado por um "presidente normal", serviria de cenário para uma peça de Feydeau, Labiche ou Courteline? / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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