Austrália anuncia pedido de desculpas aos aborígines

Medida não deixa claro se haverá compensação financeira por preconceito com minoria étnica no país

Agências internacionais,

30 de janeiro de 2008 | 09h42

A Austrália fará um pedido formal de desculpas aos nativos aborígines no próximo mês, segundo o governo anunciou nesta quarta-feira, 30. O marco pode diminuir as tensões entre as minorias mestiças, principalmente as crianças entregues para famílias brancas no século XX.   O pedido de desculpas que será feito no dia 13 de fevereiro para a "geração roubada" de Aborígines será o primeiro assunto abordado pelo novo Parlamento, afirmou o ministro de assuntos indígenas Jenny Macklin. O primeiro-ministro Kevin Rudd, que venceu as eleições em novembro, havia se comprometido a desculpar-se, já que o tema divide australianos a uma década.   "As desculpas serão feitas por parte do governo australiano, e não responsabiliza a atual geração da população do país", disse Macklin em comunicado.   Rudd negou exigências de lideranças aborígines para uma compensação financeira às famílias por seu sofrimento. Macklin não mencionou a indenização, mas assinalou que o pedido oficial de desculpas marca o começo de uma nova relação entre a Austrália e os seus habitantes originais, hoje cerca de 450 mil dos 21 milhões que vivem no país. O povo aborígine é a etnia mais empobrecida do país.   Segundo a BBC, milhares de crianças aborígines foram entregues a famílias brancas como parte das chamadas "políticas de assimilação" adotadas pelo país entre 1915 e 1969.   Uma investigação em 1997 apontou que muitas dessas crianças que foram retiradas de seus pais sofreram graves traumas psicológicos pela perda de suas famílias e sua cultura. O documento recomendou o pedido oficial de desculpas e as compensações pelas medidas, porém o ex-primeiro-ministro John Howard recusou as recomendações, afirmando que o seu governo não seria responsabilizado por políticas de administrações anteriores.   O primeiro-ministro eleito, Kevin Rudd, anunciou os planos de pedir perdão aos aborígenes durante seu discurso da vitória nas eleições gerais de novembro. O pedido de perdão já havia sido formalizado pelos governos locais dos seis estados da Austrália. No entanto, o ex-primeiro-ministro John Howard se recusava a aceitar a decisão, dizendo que os abusos cometidos no passado não tinham relação com australianos de hoje. O grupo registra altos índices de analfabetismo e desemprego, e a expectativa de vida dos aborígenes é 17 anos inferior ao resto da população australiana.

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