Austrália anuncia sanções contra a Junta Militar de Mianmar

Medidas econômicas afetam 418 pessoas, entre elas o chefe do governo, general Than Shwe

Efe,

24 de outubro de 2007 | 06h12

O governo australiano anunciou nesta quarta-feira, 24, que vai impor sanções econômicas contra a Junta Militar de Mianmar. É uma resposta à violenta repressão contra as manifestações pacíficas a favor da democracia há um mês. O ministro de Relações Exteriores australiano, Alexander Downer, informou que as medidas afetam 418 pessoas, entre elas o chefe da Junta Militar, general Than Shwe. A Austrália se une assim à União Européia e aos Estados Unidos, que há anos impõem sanções devido aos contínuos abusos dos direitos humanos por parte do regime birmanês. As sanções incluirão a proibição de transações econômicas com transferência de fundos aos generais de Mianmar e suas famílias e pagamentos a pessoas ligadas ao regime sem a autorização prévia do banco central australiano. Downer explicou que as medidas complementam outras já existentes, como a restrição de emissão de vistos e da venda de material de defesa. O objetivo, afirmou, é "exercer uma maior pressão sobre o regime e seus aliados, sem causar dano ao povo". "A Austrália pede insistentemente ao regime birmanês que trabalhe a favor de autênticas reformas democráticas e da reconciliação nacional, garantindo a todos os cidadãos padrões internacionais de direitos humanos", disse o ministro em sua declaração. Em 27 de setembro, um dia depois de os soldados birmaneses começarem a sufocar os protestos liderados pelos monges budistas, o primeiro-ministro australiano, John Howard, já anunciou que preparava sanções contra a Junta Militar. Na ocasião, ele antecipou que os embaixadores da Austrália na China, Índia e outras nações do Sudeste Asiático pediriam aos diversos governos que utilizassem sua influência para pressionar o regime de Mianmar a aceitar reformas e um diálogo com a oposição democrática. Prisões Há uma semana, a Junta Militar confirmou quase 3 mil detenções na repressão dos protestos. Cerca de 500 pessoas permanecem na prisão e outras ainda estão sendo procuradas. O regime admite 10 ativistas mortos, mas a dissidência calcula cerca de 200, além de mais de 6 mil detidos. Mianmar é governada pelos militares desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990. Na ocasião, o partido oficial perdeu para a oposição, liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Mas os generais jamais reconheceram o resultado das urnas.

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