Austrália defende sua resposta a atentados em Timor Leste

A Austrália defendeu com vigor nasexta-feira sua resposta militar à tentativa de assassinato doslíderes de Timor Leste. As declarações do país surgiram depois de o presidentetimorense, José Ramos-Horta, ter afirmado que os australianospoderiam ter se esforçado mais para capturar os agressores. Ramos-Horta, que ficou gravemente ferido após ser atingidopor dois tiros em 11 de fevereiro, dia em que militares fiéisao líder rebelde Alfredo Reinado lançaram ataques contra opresidente e contra o primeiro-ministro timorense, XananaGusmão, em Dili (capital). Atualmente se recuperando na cidade de Darwin, norte daAustrália, para onde foi levado a fim de receber tratamento,Ramos-Horta afirmou que um número maior dos soldados envolvidosna tentativa de assassinato poderia ter sido detido se asforças lideradas pela Austrália houvessem isolado imediatamenteDili. O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, disse terconversado com Ramos-Horta por telefone nos últimos dias edefendeu as medidas tomadas pelos militares da Austrália e aresposta deles aos ataques. "Acho que as forças australianas agiram de forma muitoeficiente. Eu acredito que agiram com um profissionalismoabsoluto na forma como enfrentaram uma crise muito delicada",afirmou Rudd a repórteres, em Washington. "O fato de José ter conseguido chegar tão rapidamente àclínica médica internacional na base australiana em Dili é,devo dizer, o grande motivo pelo qual conseguimos ajudar José asobreviver." Ramos-Horta contou ao canal Australian Broadcasting Corp.que ficou sangrando, deitado no chão, por cerca de 30 minutosapós ter sido alvejado. Só então, uma ambulância chegou aolocal, mas sem nenhuma equipe médica a bordo. O presidente de Timor Leste afirmou não estar indignado coma resposta australiana, mas disse que as forças do paísvizinho, sob o comando da Organização das Nações Unidas (ONU),poderiam ter se esforçado mais para capturar os agressores. Segundo Ramos-Horta, equipes médicas e soldadosaustralianos salvaram a vida dele, fornecendo-lhe transfusõesde sangue na base militar da Austrália antes de levá-lo atéDarwin para ser submetido a uma cirurgia de emergência. "Eu diria que as forças lideradas pela Austrália poderiamter cercado prontamente toda a cidade, fechando todas assaídas, usando helicópteros e enviando soldados, imediatamente,para a minha casa a fim de conseguir informações sobre osagressores", afirmou. "Eles teriam conseguido capturá-los dentro de poucas horas,porque, muitas horas depois do ataque à minha casa, eles aindaestavam nos morros localizados nas cercanias da minha casa." Reinado morreu no ataque, mas outros soldados rebeldesconseguiram fugir e muitos continuam livres. Gusmão escapouileso da tentativa de assassinato.

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