Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Austrália e Reino Unido aderem ao boicote diplomático dos EUA aos Jogos de Inverno de Pequim

Medida anunciada pelos americanos no começo do mês, de não enviar representantes diplomáticos à China, será seguida pelos aliados da Aukus, que se unem em uma nova frente de pressão ao país comunista

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2021 | 14h05

A Austrália e o Reino Unido decidiram se juntar aos EUA e aderir ao boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, que serão realizados em fevereiro de 2022, anunciaram seus primeiros-ministros nesta quarta-feira, 8. Parceiros na aliança militar Aukus - que tenta conter a expansão da influência chinesa no Pacífico -, os aliados se unem novamente em uma nova frente de pressão contra a potência comunista.

O boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno foi anunciado no começo deste mês pela Casa Branca, motivado por violações de direitos humanos aos uigures, uma minoria muçulmana da província de Xinjiang. A medida, no entanto, deve se aplicar apenas ao âmbito político, sem o envio de delegações diplomáticas ao país asiático. Os atletas classificados devem ser liberados para competir normalmente.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, confirmou que o Reino Unido participará do boicote durante uma sessão de perguntas e respostas no Parlamento. Quando questionado se o país planejava aderir à retaliação formal dos jogos, Johnson inicialmente afirmou apenas não apoiar boicotes esportivos, mas depois confirmou que não havia planos de nenhum ministro comparecer a Pequim.

Após pressão dos Parlamentares para que Johnson se manifestasse sobre o assunto, o premiê acabou admitindo que as medidas de fato equivaliam a um boicote, mostrando sua relutância em esnobar oficialmente a China da mesma forma que os Estados Unidos. "Haverá efetivamente um boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim; nenhum ministro deve comparecer", disse. E acrescentou: "Não acho que boicotes esportivos sejam sensatos", indicando que os atletas classificados devem ir à China normalmente.

Mais cedo, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, explicou que o país iria aderir ao boicote em função das tentativas da Austália de reabrir canais diplomáticos com a China para discutir supostas violações dos direitos humanos na região oeste de Xinjiang e as medidas de Pequim contra as importações australianas - que não tiveram resposta de Pequim, segundo Morrison. "Portanto, não é surpreendente que as autoridades do governo australiano não estivessem indo à China para esses Jogos", disse o premiê a repórteres em Sydney.

O Comitê Olímpico australiano disse que o boicote não teria impacto nos preparativos dos atletas para os Jogos, que acontecerão de 4 a 20 de fevereiro, acrescentando que as "opções diplomáticas" são assunto dos governos.

A China reiteradamente nega qualquer violação de direitos humanos em Xinjiang e afirma que as acusações da comunidade internacional sobre o tema são fabricadas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin, disse em uma coletiva diária em Pequim que os políticos australianos estavam engajados em "posturas políticas". "Quer venham ou não, ninguém se importa", acrescentou.

As adesões de Austrália e Reino Unido ao boicote americano são mais uma manifestação da disputa pela narrativa na disputa geopolítica entre as potências ocidentais e o gigante asiático, já considerada por alguns estudiosos como uma nova Guerra Fria. E alguns países que não estão diretamente envolvidos na embate Aukus-China começam a se movimentar, mas em ritmos distintos.

Uma das principais potências asiáticas - e um dos aliados americanos mais próximos geograficamente à China -, o Japão estaria considerando não enviar membros de seu gabinete aos Jogos, segundo uma publicação do jornal Sankei Shimbun nesta quarta-feira, citando fontes governamentais não identificadas.

Da União Europeia, a Lituânia foi o único país a confirmar o alinhamento à política americana até aqui. Enquanto isso, outros aliados históricos ainda não assumiram - e nem se sabe se assumirão - o compromisso. A Coreia do Sul, um importante aliado americano na Ásia, não está considerando entrar no boicote, segundo uma declaração de autoridades ligadas a Presidência./ REUTERS e NYT

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