Austrália pede à ONU inclusão de direito a ataques preventivos

O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, advertiu neste domingo que está preparado para agir contra supostos terroristas nos países vizinhos da Ásia e sugeriu que a Carta da ONU deveria ser alterada para "permitir que Estados realizem ataques preventivos contra grupos que planejem agredi-los". "É razoável que, se alguém achar que será atacado, seja este um ato convencional ou terrorista, tiver capacidade de evitar a ação e não restar outra alternativa, que o exerça", disse. Os comentários causaram desconforto entre diversos governos asiáticos. A Austrália conta com um dos exércitos mais poderosos da região, uma força aérea moderna e tropas de elite experientes. Alvin Lie, um parlamentar da Indonésia, considera "muito perigosa" a declaração de Howard e disse que o líder australiano deveria "aprender a controlar-se". O porta-voz do governo da Tailândia, Rathakit Manathat, disse que "cada país tem sua soberania e ela deve ser preservada." O conselheiro de segurança nacional das Filipinas, Roilo Golez afirmou que os comentários de Howard "foram insensatos" e não seguem a doutrina da paz e da soberania. As declarações de Howard foram feitas num momento em que o governo mostra nervosismo com a forma com que os países do sudeste da Ásia enfrentam militantes islâmicos depois dos atentados de 12 de outubro contra Bali. O ataque deixou quase 200 mortos, dos quais quase a metade era de turistas australianos. O grupo extremista Jemaah Islamiyah, supostamente vinculado à rede Al-Qaeda, é o principal suspeito de ter promovido o atentado. A Austrália reforçou a segurança nas embaixadas no exterior e teme que atentados possam ocorrer dentro do país.

Agencia Estado,

01 Dezembro 2002 | 19h03

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