Austrália pede ao Japão que liberte ativistas pró-baleias

A Austrália pediu nesta segunda-feira ao Japão que liberte três ativistas contrários à caça de baleias, que foram detidos ao invadirem uma embarcação que fazia a segurança de uma frota baleeira. O governo australiano acrescentou que a embarcação deveria deixar a zona marítima de exploração econômica do país.

ROB TAYLOR, REUTERS

09 de janeiro de 2012 | 10h32

Três australianos entraram ilegalmente no navio Shonan Maru 2 no domingo, na costa oeste da Austrália, aproveitando-se da escuridão. A procuradora-geral do país, Nicola Roxon, disse nesta segunda-feira que os ativistas estão sujeitos às leis japonesas porque foram detidos em alto-mar.

Mas Nicola afirmou que a presença do navio japonês de segurança pode gerar tensões por causa da temporada anual de caça a baleias por parte de embarcações do Japão no oceano Antártico. Há oito anos o grupo Pastor do Mar realiza ações contra os barcos do Japão.

"Deixamos muito claro que esse barco não é bem-vindo na nossa zona econômica exclusiva", disse Nicola à TV australiana. "Esse barco, as pessoas precisam lembrar, não está diretamente envolvido em atividades baleeiras, mas está claramente oferecendo um papel auxiliar, e isso pode nos dar algumas outras opções caso ele esteja tentando chegar às nossas águas territoriais."

Os três ativistas do grupo Forest Rescue entraram no barco com ajuda da Sociedade de Conservação Pastor do Mar, cujos navios tentam seguir a frota baleeira japonesa até o oceano Antártico.

Os três ativistas, com idades entre 27 e 47 anos, exibiram um cartaz com os dizeres: "Devolvam-nos para a costa na Austrália e então se retirem das nossas águas".

A abordagem aconteceu na zona econômica, mas não nas águas territoriais australianas. Isso significa que o governo australiano só tem o direito de explorar os recursos naturais da área, mas sem impor suas leis.

Teoricamente, os ativistas podem ser julgados no Japão, mas Nicola disse ter a esperança de que isso não aconteça, e que um acordo permita a devolução dos detidos à Austrália.

O Japão é o segundo maior parceiro comercial da Austrália, e os dois países participam, com os EUA, de um pacto trinacional de segurança.

Em 2008, num incidente semelhante, dois ativistas foram entregues a uma embarcação oficial australiana perto da Antártida.

Na temporada anterior, o Japão abreviou o período de caça à baleia, quando menos de um quinto da sua cota havia sido cumprida, em resposta à pressão do Pastor do Mar, depois da colisão de um barco do grupo com um navio japonês.

Japão, Islândia e Noruega são os três únicos países do mundo que caçam baleias, alegando interesses científicos para contornar uma proibição mundial imposta em 1986.

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