Austrália pode suspender uso de arma de eletrochoque

Uso de arma taser foi colocado em dúvida após morte do brasileiro Roberto Laudísio Curti, de 21 anos

BBC

21 de março de 2012 | 09h33

MELBOURNE - A polícia do Estado australiano de Nova Gales do Sul pode suspender o uso da arma de eletrochoque taser após a morte do estudante brasileiro Roberto Laudísio Curti, de 21 anos, no último domingo.

 

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Em meio à polêmica instaurada na sociedade australiana e o debate lançado pela imprensa local, o uso do armamento foi colocado em dúvida e um pedido para que a polícia pare de usar o taser deve ser feito por diferentes grupos.

A comissão mista de controle de armas, o Partido Verde de Nova Gales do Sul e representantes dos direito civis devem solicitar a interrupção do uso da arma pelo menos até que as investigações da comissão independente criada pelo governo esclareçam se a morte do brasileiro foi provocada pela arma que provoca paralisia.

De acordo com uma fonte da polícia, a necropsia no corpo do estudante já foi feita e os laudos devem ser divulgados nas próximas horas.

Inquérito

As investigações sobre a morte do brasileiro estão sendo feitas pelo Departamento de Homicídios da polícia local, mas uma comissão independente criada pelo governo australiano para acompanhar o caso também começou a trabalhar nesta quarta-feira.

"A proposta do uso do taser é a proteção da vida num caso de violência iminente, mas ele pode estar sendo usado em situações erradas pelos policiais e isso terá que ser revisto", disse o porta-voz da comissão, Bruce Barbour.

Segundo ele a polícia está apurando o caso e a comissão acompanhará com muita atenção os desdobramentos do inquérito.

Dúvidas

De acordo com o cônsul do Brasil em Sydney, André Costa, que está acompanhando as investigações e prestando auxílio à família do estudante, a polícia de Sydney ainda está sem respostas para algumas dúvidas que cercam o caso.

Entre elas estão as razões pelas quais as gravações da câmera de segurança da loja de conveniência onde, supostamente, o brasileiro teria furtado um pacote de biscoitos - episódio que deu início à ação policial - ainda não foram divulgadas. Elas podem comprovar se Laudísio Curti teria realmente sido o responsável pelo furto.

Segundo relatos, a descrição do ladrão não corresponderia à descrição de Roberto. O suspeito pelo roubo estaria sem camisa. Já Roberto, quando foi cercado pelos policiais, estava usando camisa.

Uma outra dúvida apontada pelo cônsul é sobre a quantidade de disparos feitos pelas armas taser. Segundo testemunhas, o brasileiro sido atingido mais três vezes mesmo após já estar caído no chão e gritando por socorro.

Família

O tio de Roberto, o empresário João Eduardo Laudísio, que chegou a Sydney na noite desta terça-feira, disse não acreditar que o sobrinho tenha entrado na loja para roubar um pacote de biscoitos, já que ele tinha dinheiro suficiente e era um rapaz com uma conduta exemplar.

Segundo os amigos, Beto, como era tratado pela família, era um rapaz alegre e extrovertido que jamais pegaria um pacote de biscoito sem pagar.

O estudante estava na Austrália desde o ano passado para visitar a irmã e o cunhado e fazer um curso de inglês numa escola de Bondi Junction, um bairro no sul da cidade.

Na terça-feira, o governo brasileiro emitiu um comunicado no qual "deplora a notícia da morte de cidadão brasileiro em circunstâncias ainda não esclarecidas (...)".

 

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