Austrália prende terroristas islâmicos ligados à Al Qaeda

Rebeldes invadiriam quartel para ataque suicida; grupo tem relações com organização de Bin Laden

Reuters

04 Agosto 2009 | 10h16

A polícia australiana prendeu nesta terça-feira quatro homens supostamente ligados a um grupo militante somali e que estariam planejando um atentado suicida contra um quartel do Exército, despertando temores de que esses rebeldes ligados à Al Qaeda estariam buscando alvos fora da África.

 

As prisões ocorreram em quatro ações policiais em 19 imóveis de Melbourne, após sete meses de investigações envolvendo diversas agências de segurança e inteligência.

 

O primeiro-ministro Kevin Rudd disse que as prisões mostram que "a ameaça do terrorismo está viva". Autoridades disseram, no entanto, que o nível de alerta contra terrorismo do país continua no estágio médio, onde se encontra desde 2003.

 

Os quatro detidos têm de 22 a 26 anos de idade e são todos cidadãos australianos, de origem somali ou libanesa. A polícia os acusa de serem vinculados ao grupo radical islâmico somali Al Shabaab, apontado pelos EUA como organização terrorista.

 

Analistas dizem que o Al Shabaab tem ligações com a Al Qaeda e que recentemente tem conseguido recrutar jovens entre membros da diáspora somali e outros muçulmanos no exterior.

 

O Al-Shabaab realiza frequentes ataques na Somália e busca derrubar o governo na nação do Chifre da África e estabelecer um Estado islâmico. O grupo já reivindicou vários ataques a autoridades, tropas etíopes que apoiam o governo local e também a jornalistas e funcionários humanitários estrangeiros.

 

O Departamento de Estado dos EUA afirma que o Al-Shabaab forneceu um local seguro para membros da Al-Qaeda procurados pelos ataques de 1998 às embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia. Suspeita-se há tempos que os dois grupos trabalhem juntos, porém eles não nunca anunciaram uma aliança formal. A Al-Qaeda tem operações no norte da África, no Iêmen e no Iraque.

 

Ação suicida

 

O comissário-interino da Polícia Federal australiana, Tony Negus, disse a jornalistas que os suspeitos pretendiam invadir um quartel nos arredores de Sydney, usando armas automáticas. "A intenção dos homens era na verdade entrar no quartel e matar o máximo de soldados que conseguissem, até que eles próprios fossem mortos", afirmou Negus.

 

A polícia disse ter tido a colaboração de agências internacionais de segurança, mas não informou de onda a denúncia partiu.

 

Um dos suspeitos, Nayaf El Sayed, 25 anos, foi indiciado por conspiração para planejar ou preparar um ato terrorista. Ele não se declarou culpado nem inocente e nem pediu liberdade sob fiança, além de ter se recusado a se levantar perante o juiz. Ele será mantido preso enquanto aguarda a próxima audiência, em 26 de outubro. "Ele acredita que não deve se levantar para qualquer homen senão para Deus", disse um advogado que representou Sayed na audiência.

 

A polícia recebeu um tempo adicional para interrogar os três outros: Saney Aweys, Yacqub Khayre e Abdirahman Ahmed. Um quinto homem, detido por outras questões, também está sendo interrogado, e a polícia não descarta novas prisões.

 

A violência extremista é bastante rara na Austrália - o incidente mais conhecido foi o atentado à bomba em 1978, perto do Hotel Hilton, que matou duas pessoas e nunca foi solucionado. Nenhum ataque ocorreu no país desde o 11 de Setembro nos EUA, que levou ao aumento dos níveis de alerta pelo mundo. No exterior, porém, dezenas de australianos já morreram vítimas de atentados terroristas, a maioria na Indonésia, incluindo o ataque a casas noturnas em Bali, em 2002.

 

A Austrália vem endurecendo gradualmente suas leis antiterror nos últimos anos, especialmente por ter mais de mil militares colaborando com os EUA no Iraque e Afeganistão. Em fevereiro, o clérigo Abdul Nacer Benbrika foi conenado a 15 anos de prisão por comandar uma célula que planejava um atentado contra um jogo de futebol em 2005 em Melbourne. Ao todo, 12 pessoas foram presas por esse caso.

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