Austrália reage a acusação de suborno no Iraque

O primeiro-ministro australiano, John Howard, exigiu nesta sexta-feira a retratação do senador americano, Norm Coleman, que acusou Canberra de envolvimento no escândalo dos supostos subornos pagos por empresas australianas ao antigo regime iraquiano de Saddam Hussein."Eu gostaria de (receber) uma desculpa do senador americano, que alega que há provas que implicam funcionários do governo (de Canberra) no suposto escândalo", disse o primeiro-ministro australiano à emissora de rádio Southern Cross Broadcasting.Coleman pediu explicações na quinta-feira, por carta, ao ex-embaixador australiano nos EUA Michael Thawley sobre supostas provas que demonstrariam que o Escritório Exportador de Trigo (AWB, em inglês) pagou subornos a funcionários iraquianos.Coleman também solicitou uma reunião com o atual embaixador australiano nos EUA, para esclarecer se o governo de Canberra tinha conhecimento dessas supostas atividades da AWB.O ministro de Comércio, Mark Vaile, disse que as relações entre Austrália e Estados Unidos, dois países aliados em matéria militar e grandes rivais no âmbito comercial, não serão afetadas pelo escândalo do AWB.A Austrália foi um dos principais exportadores de cereal ao Iraque nos últimos 57 anos e, desde a Guerra do Golfo de 1991, quando Bagdá proibiu as importações dos EUA, se transformou no principal fornecedor de trigo a esse país árabe, com pedidos avaliados em mais ou menos U$600 milhões.No final de 2002, o Iraque reduziu as importações australianas em represália às críticas do governo de Canberra ao regime de Saddam Hussein.Desde a intervenção armada liderada pelos EUA, apoiada pela Austrália, o trigo australiano compete diretamente com o americano no mercado iraquiano do cereal.

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