Austrália rejeita pedido da ONU de enviar tropas a Darfur

´Governo teria que retirar pessoal de outras partes´, justifica primeiro-ministro

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O governo australiano se negou a enviar capacetes azuis a Darfur (Sudão), apesar do pedido da ONU, segundo informa nesta sexta-feira, 15, a imprensa australiana. Falando à rede de rádio ABC, o primeiro-ministro, John Howard, justificou sua decisão argumentando que "o governo teria que retirar pessoal de outras partes do mundo se quisesse participar da operação em Darfur". A Austrália tinha se comprometido a "não dar as costas" à tragédia humanitária de Darfur, segundo palavras de Howard, lembradas nesta sexta pelo jornal The Australian. A ONU está organizando em Darfur uma operação internacional, com 17 a 19 mil soldados, junto com a União Africana (UA). O governo sudanês aceitou esta semana o posicionamento de uma força de paz no país. Segundo o jornal, a Organização pediu à Austrália apoio específico em logística, especialistas em movimentos aéreos e observadores militares. Howard disse que o assunto não foi discutido em nível governamental. Mas o ministro da Defesa, Brendan Nelson, informou nesta quinta-feira que a Austrália se limitará a manter os 15 membros de seu Exército que participam da força de manutenção de paz no sul do Sudão, um conflito independente do de Darfur. Conflito O conflito de Darfur, no oeste do Sudão, explodiu em fevereiro de 2003, quando dois grupos se rebelaram em protesto contra a pobreza e marginalização da região. Cerca de 200 mil pessoas morreram desde então e 2 milhões foram forçadas a abandonar suas casas, abrigando-se em campos de refugiados no Sudão e Chade. De todo o pessoal militar australiano, aproximadamente 3.850 soldados (8%) servem em operações no exterior. São cerca de 1.575 no Iraque, 1.100 no Timor Leste e 970 no Afeganistão.

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