Austrália responsabiliza americanos pelos vazamentos do WikiLeaks

Ministro de Exteriores isenta Julian Assange, fundador do site, e diz 'não ligar para as críticas'

BBC

08 de dezembro de 2010 | 09h27

SYDNEY - O ministro de Exteriores da Austrália, Kevin Rudd, isentou nesta quarta-feira, 8, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, da culpa pelos vazamentos de documentos diplomáticos dos EUA e afirmou que a responsabilidade pelo caso é dos americanos. Rudd afirmou ainda que os vazamentos levantam questões sobre a segurança dos EUA e disse "não dar a mínima" para as críticas feitas contra ele nos documentos.

 

Veja também:

especialEspecial: Por dentro do WikiLeaks

blog Radar Global: principais vazamentos do 'cablegate'

lista Veja tudo o que foi publicado sobre o assunto

 

O chanceler tomou partido de Assange, australiano de 39 anos, chamado anteriormente de irresponsável pela premiê da Austrália, Julia Gillard. "Assange não é o responsável pela divulgação não autorizada dos 250 mil documentos diplomáticos dos EUA. Os americanos são os responsáveis", disse.

 

"Acredito que as questões a serem feias são sobre a adequação dos sistemas de segurança americanos e sobre o nível de acesso que as pessoas têm a esse material. A responsabilidade, assim como as violações legais, deve ser atribuída a quem está por trás desses vazamentos iniciais", disse o chanceler.

 

Rudd também se mostrou indiferente sobre as críticas que recebeu em alguns dos papéis divulgados. "Estou certo de coisas muito piores foram escritas sobre mim antes e provavelmente coisas ruins serão escritas no futuro, mas eu não me importo. Meu trabalho é atuar como ministro de Exteriores pelos interesses da Austrália", disse.

 

Em um telegrama, um ex-embaixador americano na Austrália teria dito que Rudd "faz anúncios sem consultar outros países ou mesmo fontes do governo. Em outro documento, ele é criticado por ter levado a público um telefonema no qual ele cita o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, perguntando "o que seria o G20".

 

Assange é considerado o responsável pelo vazamento dos mais de 250 mil documentos americanos, que começou no dia 28 de novembro e causou constrangimento às autoridades americanas por ter revelado segredos da política externa dos EUA. Washington classificou a ação como irresponsável e como uma ameaça à segurança nacional.

 

O australiano foi preso na segunda-feira e está sob custódia no Reino Unido, onde aguarda julgamento. Um primeiro pedido para pagamento de fiança foi negado, mas seus advogados já estão se mobilizando para aplicar novos recursos. Assange é procurado na Suécia por crimes sexuais e foi preso em Londres devido a um mandado de prisão expedido por Estocolmo para a polícia britânica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.