Austrália se prepara para mudanças gradativas sob novo premiê

O novo primeiro-ministro da Austrália,Kevin Rudd, não vai prejudicar os laços fortes de seu país comos Estados Unidos, apesar de sua decisão de retirar as tropasaustralianas do Iraque e ratificar o Protocolo de Kyoto,disseram analistas no domingo. Leitor ávido e ex-diplomata de 50 anos, Rudd pôs fim a 11anos de governo conservador na Austrália no sábado, depois devencer uma eleição sobre a plataforma da busca de uma novageração de lideranças. Embora a campanha eleitoral tenha focado principalmentequestões domésticas, Rudd também prometeu a retirada gradativados 500 soldados australianos que servem na linha de frente noIraque e prometeu ratificar o Protocolo de Kyoto sobre asmudanças climáticas, isolando ainda mais o presidente George W.Bush nas duas questões. O analista Nick Economou, da Universidade Monash, disse àReuters: "Teremos a chance de sermos vistos novamente como paísque é uma força em favor do bem, e não simples lambe-botas dosEstados Unidos". "O mundo nos verá como país que está retornando àcomunidade internacional." John Howard, o primeiro-ministro conservador em final demandato, era estreito aliado pessoal e político de Bush, masfoi criticado por muitos na Austrália por ser próximo demais aWashington, tanto que ganhou o apelido de "vice-xerife deBush". Howard apoiava plenamente a campanha militar no Iraque,onde a Austrália tem cerca de 1.500 soldados, e uniu-se a Bushna recusa em ratificar o Protocolo de Kyoto. A Austrália e osEUA foram os únicos países desenvolvidos que ficaram de fora dotratado. Rudd disse no domingo que conversou com Bush e enfatizousua determinação em manter a aliança militar Austrália-EUA aocentro de sua política externa e estratégica. Rudd, que fala mandarim e conversou com o presidente chinêsHu Jintao nessa língua em setembro, também quer um engajamentomais estreito da Austrália com a Ásia e uma abordagem maisconciliadora aos laços com Estados problemáticos das ilhas doPacífico. Ele assinalou também um aumento dos gastos da Austrália comajuda internacional e um apoio maior às organizaçõesinternacionais. "É uma mudança inequívoca e que terá grande importânciapara a posição da Austrália na ONU e outros organismosinternacionais", disse à Reuters Geoffrey Hawker, diretor derelações internacionais da Universidade Macquarie. Com relação ao clima, Rudd se equiparou ao compromissoassumido por países europeus de reduzir as emissões de gasescausadores do efeito estufa em 60 por cento dos níveis de 2000até 2050 e de incentivar fontes de energia renováveis, emboraainda não tenha fixado uma meta para as emissões de carbono daAustrália em 2020. Ao ratificar o tratado de Kyoto, Rudd espera que aAustrália assuma a liderança na nova rodada de negociações paraas metas de redução de carbono pós-Kyoto, cujas conversaçõesvão começar em Bali no início de dezembro. Ele já anunciou queparticipará da reunião de Bali.

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