Austrália se prepara para pedir perdão para aborígines

Governo envia ao Parlamento texto em que o país se desculpará formalmente na quarta com a "geração perdida"

Efe,

12 de fevereiro de 2008 | 09h27

O governo da Austrália apresentou ao Parlamento nesta terça-feira, 12, o texto do pedido oficial de desculpas que o primeiro-ministro, Kevin Rudd, transmitirá na quarta e no qual pede "perdão" pela "dor, sofrimento e perda" dos aborígines. Rudd falará em nome do Legislativo e se dirigirá às vítimas da chamada "geração roubada", formada por mais de 100 mil menores aborígines que foram separados de seus familiares entre 1910 e 1970 para serem "civilizados" em famílias brancas. Apesar da grande controvérsia sobre o conteúdo da declaração e da insistência por parte de especialistas em evitar a palavra "perdão", por temor que dê lugar a pedidos de indenizações, o novo governo trabalhista decidiu incluí-la no texto. "Às mães e aos pais, aos irmãos e às irmãs, pela ruptura de famílias e comunidades, pedimos perdão. Pela indignidade e a degradação de um povo orgulhoso e uma cultura orgulhosa, pedimos perdão", reza o texto. Milhares de pessoas já se encontram em Camberra, hospedadas na chamada embaixada aborígine, estabelecida em 1972 em frente ao edifício do velho Parlamento, para ouvir amanhã o primeiro pedido oficial de desculpas. A decisão marca uma mudança radical na história política australiana, especialmente após a recusa a pedir perdão do anterior primeiro-ministro australiano, o conservador John Howard, no cargo de 1996 a 2007. Minoria Segundo a BBC, milhares de crianças aborígines foram entregues a famílias brancas como parte das chamadas "políticas de assimilação" adotadas pelo país entre 1915 e 1969. A população nativa australiana é hoje uma minoria empobrecida. O grupo registra altos índices de analfabetismo e desemprego, e a expectativa de vida dos aborígines é 17 anos inferior ao resto da população australiana. As reivindicações das comunidades aborígines abrangem várias questões, entre elas o direito à terra e a criação de um órgão político aborígine independente. Também haverá pressão sobre Rudd para que ele faça mudanças em políticas polêmicas de combate ao abuso de crianças em assentamentos aborígines criados pelo governo anterior. As reformas radicais adotadas pelos conservadores incluíram a proibição do consumo de álcool, exames médicos obrigatórios para crianças e um aumento no número de policiais.

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