Lukas Coch / EPA / Shutterstock
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Conservadores surpreendem e vencem eleições parlamentares na Austrália

Líder trabalhista Bill Shorten, apontado como favorito, reconheceu sua derrota para o premiê Scott Morrison; mudança climática foi tema de destaque nos debates deste ano

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2019 | 04h41
Atualizado 18 de maio de 2019 | 14h57

SYDNEY, AUSTRÁLIA - A coalizão conservadora do primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, surpreendeu neste sábado, 18, ao conquistar uma vitória "milagrosa" nas eleições parlamentares, forçando o líder trabalhista Bill Shorten, apontado como favorito, a reconhecer sua derrota. "Sempre acreditei em milagres. Como a Austrália é fantástica!", reagiu Morrison a seus partidários em Sydney, saudando os "australianos silenciosos".

O tema de destaque este ano nos debates na Austrália foi a mudança climática. As inundações, as altas temperaturas e os diversos incêndios florestais registrados no país colocaram o assunto no centro das campanhas. 

"Está claro que o Partido Trabalhista não será capaz de formar o próximo governo", lamentou Shorten a seus partidários incrédulos em Melbourne. Ele também anunciou sua renúncia como líder do partido e telefonou a seu rival para "parabenizá-lo".

A coalizão liderada pelo primeiro-ministro liberal-conservador e cético climático Scott Morrison já havia sido apontada como vitoriosa pela emissora pública ABC. O canal, no entanto, não informou se o novo governo será majoritário ou minoritário. Os resultados são uma grande surpresa, uma vez que todas as pesquisas apontavam Shorten, sensível à questão ambiental, como vencedor.

Cerca de 17 milhões de eleitores foram às urnas na Austrália, onde o voto é obrigatório. Os primeiros resultados mostram um eleitorado fraturado, com pequenos partidos populistas e de extrema direita capazes de desempenhar um papel importante no próximo governo. 

Segundo informações da emissora Australian Broadcasting Corp., a coalizão conservadora Liberal-Nacional de Morrison havia ganhado 74 das 151 cadeiras da Câmara dos Deputados. Os trabalhistas estavam com 65 e os indecidos com 12. São necessárias 76 cadeiras para formar um governo majoritário.

Para Anthony Ching, um simpatizante do campo liberal, os resultados são "incríveis": "Todos esperavam a nossa derrota". O premiê, que assumiu o poder em agosto depois de um "golpe" interno em seu partido, percorreu uma rota cheia de obstáculos. Muitos de seus ministros se recusaram a se envolver na campanha, enquanto outros foram mantidos à distância para que não atrapalhassem.

Mas ele embarcou em uma campanha negativa e contou com o apoio da mídia conservadora do magnata Rupert Murdoch. Concentrou-se, sobretudo, no eleitorado mais velho e mais rico, preocupado com os projetos trabalhistas de suprimir várias brechas fiscais para financiar os gastos com educação, saúde e clima.

Para os trabalhistas, o resultado cai como uma ducha fria. "Parte meu coração", disse Jango Rust, uma simpatizante de 19 anos, na sede da campanha trabalhista em Melbourne. Julie Nelson, de 67 anos, acusou o primeiro-ministro de "fazer campanha pelo medo".

Embora as pesquisas recentes tenham sugerido uma queda na diferença entre os dois candidatos, Shorten, um ex-sindicalista, era dado como favorito para se tornar o sexto primeiro-ministro em uma década. "Se o povo australiano votar pelo fim do caos e em favor da ação contra a mudança climática, estaremos prontos para começar a trabalhar amanhã", disse ele neste sábado.

Já Morrison adotou uma postura de cautela, depois de votar em Sydney. "Eu não aposto como certo nenhum apoio neste país", afirmou ele.

O aquecimento global pesou muito na campanha, após um verão marcado por enchentes históricas e ondas de calor recordes que alimentaram incêndios florestais devastadores. O Partido Trabalhista apostou em propostas para favorecer a energia renovável, enquanto os liberais se recusam a comprometer a economia do carvão.

Em Sydney, o ex-primeiro-ministro Tony Abbott - que no passado chamou o aquecimento global de "besteira absoluta" - perdeu o assento que ocupava há mais de 20 anos.

A campanha foi violenta, com candidatos agredidos e outros que jogaram a toalha depois de excessos racistas ou sexistas nas redes sociais. Na sexta-feira, um homem de 62 anos foi preso acusado de enfiar um saca-rolhas na barriga de uma pessoa que usava faixas eleitorais.

O fim da campanha foi marcado pela morte na quinta-feira, aos 89 anos, do líder trabalhista Bob Hawke, que liderou o governo australiano de 1983 a 1991. Imensamente popular até sua morte, o ex-líder sindical tinha a cultura de consenso em vez de confronto. / AFP e AP

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