Australiano é eleito diretor da agência de patentes da ONU

O advogado australiano de patentesFrancis Gurry venceu uma apertada votação nesta terça-feirapara assumir ainda este ano o comando da Organização Mundial daPropriedade Intelectual (OMPI) da Organização das Nações Unidas(ONU). Gurry, vice-diretor geral da agência desde 2003, eintegrante da organização de patentes e registros desde 1985,bateu o colega brasileiro José Graça Aranha, diretor deregistros da organização, por apenas um voto de diferença (42 a41), em um comitê formado por 83 Estados membros. Etapas anteriores da votação eliminaram outros 12candidatos incluindo um influente não-integrante da agência, oembaixador paquistanês em Genebra, Masood Khan. A decisão final, que garantiu a Gurry o cargo do diretoratual da OMPI, Kamal Idris, que deixa o posto em setembro, serátomada por uma assembléia geral formada por 184 países, mas asautoridades esperam que isso seja uma mera formalidade. Gurry, um advogado de propriedade intelectual de 57 anos,disse a membros do comitê depois do voto final que reconhecia aimportância de garantir que a "agenda de desenvolvimento" daOMPI realmente impulsione a capacidade de propriedadeintelectual de nações mais pobres. O embaixador norte-americano Warren Tichenor, quedesempenhou um papel chave em uma campanha no ano passado parapersuadir Idris a renunciar depois de alegações de que eleteria sido favorecido com promoções por enganar a OMPI sobresua idade, disse que Gurry era a pessoa certa para o trabalho. A nomeação do australiano, disse Tichenor, "começa umprocesso necessário de recuperação da organização", criticadapela controvérsia envolvendo Idris, que originalmente tinhaapoio dos Estados Unidos. Gurry é visto como o arquiteto do bem-sucedido sistema deconciliação de disputas por nomes de domínios na Internet daorganização, usado por muitas companhias e personalidades O voto final refletiu uma clara divisão entre Norte e Sulna OMPI, onde controvérsias sobre a agenda de desenvolvimentotem acontecido, alimentadas pela suspeita de países do sul deque o norte desenvolvido estaria segurando a medida. Graça Aranha, que presidiu a Agência de PropriedadeIntelectual do Brasil antes de ir para OMPI pela segunda vez em2004, disse a jornalistas que tinha certeza de que Gurry iriatrabalhar para fechar o vão entre o Norte e o Sul. "Vamosesperar que ele seja bem-sucedido", acrescentou.

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