Australianos descobrem 'interruptor' da fome que age no cérebro

Cientistas australianos descobriram comousar uma molécula que age no cérebro para "ligar" e "desligar"a fome, descoberta que pode ajudar a evitar a perda de peso emdoentes terminais ou contribuir no tratamento da obesidademórbida. A molécula MIC-1 é produzida por tumores comuns e tem comoalvo receptores cerebrais onde eliminam a sensação de fome. Masos pesquisadores australianos descobriram também que usaranticorpos contra o MIC-1 pode fazer com que o apetite seja"religado". Tratados com o MIC-1, ratos normais e obesos comiam menos eperdiam muito peso, o que indica a possibilidade de uso damolécula contra a obesidade grave, segundo nota distribuída naterça-feira pelos pesquisadores de Sydney. "Este trabalho nos deu uma melhor compreensão sobre a partedo cérebro que regula o apetite", disse Herbert Herzog, diretorde pesquisas de neurociências do Instituto Garvan, de Sydney. "Nossos corpos enviam complexos sinais químicos a nossoscérebros, que os interpretam e devolvem resposta, neste caso'coma' ou 'não coma'. Nossa pesquisa indicou que o MIC-1 é umamolécula até então não-reconhecida enviando um sinal de 'nãocoma' ao cérebro", disse Herzog. Os pesquisadores disseram esperar que no futuro próximo asdescobertas relativas ao MIC-1 impeçam que os pacientes decâncer avançado fiquem "literalmente à míngua". Sam Breit, do Centro Saint Vincent de Imunologia, queoriginalmente clonou o gene do MIC-1, disse acreditar que asdescobertas terão um impacto significativo sobre váriosdistúrbios do apetite. "Injetar a proteína MIC-1 em ratos também os fez parar decomer, sugerindo que pode ser possível isso para tirar vantagemno tratamento de pacientes com obesidade grave", afirmou. As descobertas foram publicadas na última edição da revistaNature Medicine, e a equipe do Hospital Saint Vincent, emSydney, espera desenvolver um anticorpo humano e realizartestes clínicos nos próximos anos.

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