Áustria libera avião de Evo após checar se Snowden estava escondido a bordo

Aeronave foi proibida de cruzar espaço aéreo francês e português; Bolívia denuncia violação

O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2013 | 10h34

Evo embarca após inspeção em seu avião presidencial. Foto: Hans Punz / AP

VIENA - O avião do presidente boliviano, Evo Morales, decolou de Viena nesta quarta-feira depois de uma escala não programada durante a noite na capital austríaca, disse um porta-voz do aeroporto sem dar mais detalhes. A aeronave foi forçada a pousar na Áustria depois que França e Portugal fecharam abruptamente seu espaço aéreo na terça-feira durante sua viagem de volta de Moscou, aparentemente devido a temores de que o fugitivo ex-funcionário da agência de espionagem dos Estados Unidos Edward Snowden estivesse a bordo.

Evo participou de uma conferência sobre energia nesta semana na Rússia. Snowden, de 30 anos, está na área de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, onde chegou procedente de Hong Kong, sem documentos de viagem válidos e sem visto para entrar na Rússia. O americano solicitou asilo político a mais de uma dúzia de nações, inclusive o Brasil, na esperança de escapar à perseguição jurídica dos Estados Unidos por ter revelado detalhes de programas secretos de espionagem.

Autoridades austríacas inspecionaram o avião do governo boliviano e não encontraram pessoas sem autorização a bordo, disse nesta quarta-feira o vice-chanceler da Áustria, Michael Spindelegger. "Nossos colegas do aeroporto deram uma olhada e podem garantir que ninguém está a bordo, a não ser cidadãos bolivianos", disse Spindelegger a jornalistas no aeroporto, acrescentando que os rumores de que Snowden poderia estar a bordo eram falsos.

A Bolívia afirmou que a decisão da Áustria de inspecionar o avião de Evo foi um ato de agressão e uma violação do direito internacional.O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, acusou França e Portugal de colocar a vida de Morales em risco e insistiu que Snowden não estava no avião de Morales.

Choquehuanca disse a jornalistas que Portugal e França cancelaram abruptamente as licenças aéreas, forçando uma parada não programada em Viena, enquanto Morales voltava da Rússia em um avião do governo boliviano.

Horas depois, o ministro de Defesa da Bolivia, Rubén Saavedra, declarou que a França reconsiderou a posição e deu sua autorização, mas a Itália se somou a Portugal ao negar o trânsito aéreo do avião da Força Aérea boliviana.

"Eles dizem que foi por causa de problemas técnicos, mas após explicações de algumas autoridades descobrimos que parecia haver algumas suspeitas infundadas de que o Sr. Snowden estava no avião", disse o chanceler. "Queremos expressar o nosso desagrado porque isso colocou a vida do presidente em risco."

Durante participação em uma conferência sobre energia na Rússia esta semana, Evo disse que consideraria a concessão de asilo a Snowden, se solicitado. O ministro da Defesa boliviano disse que o Departamento de Estado dos EUA pode estar por trás das decisões de não permitir que o avião de Evo pousasse em Portugal ou sobrevoasse o espaço aéreo francês.

"Temos a suspeita de que eles (os dois governos europeus) foram usados por uma potência estrangeira, neste caso, os Estados Unidos, como uma forma de intimidar o Estado boliviano, e o presidente Evo Morales", afirmou ele.

Vídeo mostra momento em que avião deixou Viena:

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