AP Photo|Manu Brabo
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Áustria prepara lei para dificultar entrada de imigrantes afegãos; ONU critica medida

Ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, diz que projeto pretende aumentar para 3 anos o prazo mínimo de espera para afegãos levarem parentes para o país, além de criar novas barreiras

O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 12h29

VIENA - Diante de um número recorde de pedidos de asilo neste ano, o governo da Áustria propôs nesta terça-feira, 3, um projeto de lei severo para deter a entrada de afegãos, o que a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) criticou pela possibilidade de aumentar o sofrimento dos imigrantes.

A medida surge na esteira do pedido do ministro do Interior da Alemanha para que os afegãos, que representam uma grande porção das centenas de milhares de imigrantes que procuram refúgio na Europa, permaneçam em seu país de origem.

A nova lei austríaca obrigaria a maioria dos afegãos a esperar três anos, em vez de um ano como determinado pela legislação atual, para poderem levar parentes para a Áustria. Eles também teriam que possuir fonte de renda independente, plano de saúde e um apartamento.

O pequeno país alpino é a primeira nação do oeste europeu que os milhares de imigrantes do Oriente Médio e região alcançam durante sua jornada rumo ao oeste, e é uma das principais rotas para aqueles que querem seguir para a Alemanha e para o norte da Europa.

"Esta é uma decisão política. Tornar as regras da reunificação familiar mais rígidas afeta principalmente os afegãos", afirmou a ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, à rádio ORF ao explicar o projeto de lei. "É importante para nós criar regras claras e, obviamente, diminuir o atrativo (representado pela Áustria)."

O escritório vienense da Acnur criticou de imediato as novas regras de reunificação familiar, que segundo a entidade irão aumentar o sofrimento pessoal e atrapalhar a integração. Muitos imigrantes são homens jovens que esperam poder levar seus parentes assim que encontram asilo na Europa.

"Se maneiras legais (de imigrar) estiverem sendo cortadas, as pessoas irão usar traficantes de pessoas e assumir riscos maiores do que foi o caso até agora para poderem se reunir às suas famílias e viver com elas em segurança", declarou Christoph Pinter, chefe da Acnur da Áustria. / REUTERS

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