EFE/HERBERT PFARRHOFER
EFE/HERBERT PFARRHOFER

Áustria recebe milhares de refugiados que estavam retidos na Hungria

País se preparava para receber até 10 mil pessoas que chegavam a pé ou de ônibus; maioria quer ir para a Alemanha

O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2015 | 12h11

VIENA - Um total de 6.500 refugiados chegou neste sábado à Áustria entre as primeiras horas da madrugada e o meio-dia, e quase todos seguem caminho rumo à Alemanha, informaram autoridades austríacas. Elas se preparavam para receber até 10 mil pessoas, que em sua maioria fugiram de zonas em conflito em Síria, Iraque, Afeganistão e Paquistão, informou a polícia do Estado federado de Burgenland. Esta é considerada a pior crise de refugiados no continente desde as guerras da ex-Iugoslávia nos anos 1990.

O primeiro trem especial com 450 refugiados procedentes da Hungria chegou neste sábado a Munique, no sul da Alemanha, após atravessar a Áustria, informou a polícia federal alemã.

O trem, que chegou a Munique às 13 horas locais (8h20 de Brasília), tinha saído da Hungria e ficou parado em Salzburgo, na Áustria. Outros 350 refugiados tinham conseguido chegar previamente a Munique em outros trens, desde a meia-noite.

As autoridades alemãs calculam que hoje entrarão no país de 5 mil a 7 mil refugiados procedentes da Hungria, o que triplicará o fluxo dos dias anteriores. Os trens procedentes da Áustria com refugiados irão para Munique. No entanto, alguns serão transferidos a campos de amparo em uma escala na cidade de Rosenheim, também na região da Bavária.

Centenas de agentes da polícia federal, responsável pela segurança nas ferrovias, estão a postos para receber os refugiados, registrá-los e levá-los a campos de amparo.

Os governos de Áustria e Alemanha tinham decidido na noite de sexta-feira permitir a entrada em seus territórios dos refugiados procedentes da Hungria, que havia tentado impedir os imigrantes de seguir viagem proibindo-os de embarcar nos trens em Budapeste. 

Mas o governo húngaro, de direita, acabou cedendo diante do grande número de pessoas chegando sem parar à Europa.Depois de dias de confrontos e caos, o governo húngaro destinou mais de cem ônibus durante a noite para levar milhares de imigrantes para a fronteira com a Áustria.

Os austríacos afirmaram ter acordado com a Alemanha que permitiriam o acesso dos imigrantes, ignorando as regras de asilo que requerem o registro das pessoas no primeiro país da União Europeia em que chegam.

Obrigados a caminhar os últimos metros até a Áustria, imigrantes ensopados de chuva, muitos refugiados da guerra civil síria, foram transportados com rapidez de trem e ônibus para Viena, onde muitos disseram que estavam decididos a continuar a viagem para a Alemanha.

Enrolados em colchas e sacos de dormir para se proteger da chuva, longas filas de imigrantes cansados, muitos levando crianças pequenas e sonolentas, desembarcaram dos ônibus no lado húngaro da fronteira e caminharam até a Áustria, recebendo frutas e água de socorristas. Austríacos exibiam cartazes com a mensagem: “Bem-vindos refugiados”.

“Foi uma situação simplesmente horrível na Hungria”, disse Omar, chegando a Viena com sua família e centenas de outros imigrantes, que tomaram uma plataforma delimitada por uma cerca e receberam comida, bebida e outros suprimentos.

“Estamos felizes. Vamos para a Alemanha”, disse um sírio que se identificou como Mohammed. Outro, que não quis dar o nome, afirmou: “A Hungria deveria ser expulsa da União Europeia. Que tratamento ruim”.

A Hungria, principal ponto de entrada na zona Schengen, a região sem controle de fronteiras entre países da União Europeia, para migrantes que seguem rumo ao norte pelos Bálcãs, adotou uma linha dura, prometendo fechar a fronteira em dias.

Autoridades húngaras têm visto a crise como uma defesa da prosperidade, identidade e “valores cristãos” da Europa contra a chegada de imigrantes principalmente muçulmanos.

As pressões por ações efetivas se intensificaram bastante nesta semana depois que as fotos do corpo de um menino sírio de 3 anos numa praia da Turquia rodou o mundo, personalizando a tragédia coletiva dos refugiados. Aylan Kurdi se afogou junto com a mãe e o irmão quando a família tentava chegar de bote à ilha grega de Kos. / EFE, AFP e REUTERS


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