REUTERS/Leonhard Foeger
REUTERS/Leonhard Foeger

Áustria vai fechar mesquitas e expulsar imãs em nova política contra extremismo

Segundo o chanceler Sebastian Kurz, que assumiu o poder após coalizão de partidos conservadores e da extrema direita, a nova diretriz mira financiamento estrangeiro a grupos religiosos considerados extremistas

O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 05h56
Atualizado 08 Junho 2018 | 12h22

VIENA - O governo austríaco irá fechar sete mesquitas e expulsar ao menos 40 imãs no que diz ser "o começo" de uma nova política contra o "doutrinamento" islâmico e o financiamento estrangeiro a grupos religiosos extremistas na Áustria. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, 8.

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Segundo o chanceler Sebastian Kurz, grupos estrangeiros como os "Grey Wolves", formado por jovens nacionalistas turcos que mantém influência em uma mesquita em Viena, difundem ideias extremistas e tentam "doutrinar" menores de idade. O governo atual afirma que o grupo será desmantelado por operar ilegalmente.

"As sociedades paralelas, o islamismo político e o extremismo não terão lugar em nosso País", declarou Kurz, que assumiu o governo da Áustria após um acordo de coalizão entre membros de partidos conservadores e de extrema direita

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Em 2015, ainda como ministro da Integração, Kurz acompanhou a aprovação de uma "lei rígida contra o Islã", que baniu o financiamento estrangeiro a grupos religiosos no País. A decisão desta sexta-feira foi baseada nesta lei. 

Além dos Grey Wolves, outro grupo muçulmano que gerencia seis mesquitas também será desmantelado pelo governo. Os ministros afirmam que entre 40 a 60 imãs ligados ao ATIB, um grupo ligado ao governo do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, poderão ser expulsos do País ou terão o pedido de visto negado.

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"A Áustria permite a liberdade religiosa", assegurou o vice-chancelor Heinz-Christian Strache. "Por isso, é importante que esse princípio não seja utilizado para o doutrinamento político."

Atualmente, 600 mil muçulmanos vivem na Áustria, a maioria é de origem turca.

Islamofobia. O porta-voz do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Ibrahim Kalin, declarou que a decisão do governo austríaco é "islomofóbica" e "racista". "A decisão de fechar sete mesquitas e expulsar imãs é o resultado de uma onda populista, islamofóbica, racista e discriminatória no País", escreveu Kalin nas redes sociais. "É uma tentativa de atacar comunidades muçulmanas em prol de ganho político." //REUTERS, EFE E AFP

 

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