Austríaca é suspeita de participar de seqüestro de filha

A Justiça de Viena deu início aos procedimentos legais para processar a mãe da jovem austríaca Natascha Kampusch, mantida refém em um quarto subterrâneo por oito anos, por envolvimento no seqüestro da filha, informou a BBC. A expectativa é que a Justiça austríaca aceite o pedido do ex-juiz e político Martin Wabl para que Brigitte Sirny seja processada. Segundo o jornal britânico The Guardian, Wabl tenta há anos incriminar Brigitte pelo desaparecimento de Natascha.A decisão da Justiça austríaca sobre a instauração do processo deve sair dentro de quatro semanas. Segundo a BBC, Wabl alega que Brigitte conhecia o seqüestrador Wolfgang Priklopil - que cometeu suicídio no dia da fuga da jovem - e teria planejado o seqüestro para acobertar supostos abusos sexuais sofridos pela menina, então com dez anos de idade.Brigitte, por sua vez, havia conseguido há alguns anos uma decisão jurídica contra Wabl, proibindo-o de repetir as acusações contra ela. As primeiras tentativas do ex-juiz de envolver a mãe da garota no desaparecimento surgiram dias após o seqüestro de Natascha. Brigitte nega qualquer envolvimento, assim como o pai da garota, Ludwig Koch.Com o reaparecimento de Natascha, entretanto, Wabl conseguiu rever a decisão judicial a favor de Brigitte, argumentando que a principal testemunha do caso - a própria seqüestrada - ainda não havia sido ouvida. Em entrevistas concedidas após fugir do cativeiro, Natascha chegou a dizer que tinha "100% de certeza" de que a mãe não estava envolvida no seqüestro.PedofiliaSegundo Wabl, Brigitte teria ajudado no desaparecimento da filha para encobrir atividades sadomasoquistas em que a garota estaria envolvida. O ex-chefe de polícia de Viena, Max Edelbacher, confirmou a existência de imagens da jovem seminua e em poses eróticas, encontradas na casa da mãe dias após o desaparecimento de Natascha. Edelbacher era o responsável pelas investigações do seqüestro em 1998.Uma das testemunhas do ex-juiz Wabl no processo, um alemão chamado Thomas Vogel, também teria dito à polícia ter provas do suposto abuso, como fotos e vídeos de pedofilia com Natascha. TestemunhasSe o julgamento acontecer de fato, Natascha será uma das testemunhas e terá que falar sobre temas que evitou desde sua fuga. A jovem, de 19 anos, escapou do cativeiro em agosto do ano passado. Ela aproveitou a distração do seqüestrador Priklopil, que lavava o carro no momento da fuga. Embora sempre tenha defendido a mãe das acusações sofridas, a jovem se negou a comentar se teria sofrido abuso sexual de seu algoz. Seu pai, Ludwig Koch, também seria intimado a depor no tribunal.Wabl é conhecido na Áustria pelo seu interesse obsessivo pelo "caso Natascha". Quando fez suas primeiras acusações, em 1998, ele concorria à presidência da Áustria pelo Partido Verde, e chegou a ser preso por abuso de autoridade. Mais tarde, Wabl ofereceu seus serviços ao Ministro do Interior austríaco para trabalhar como investigador no caso. Sua oferta foi rejeitada.

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