Austríaca presa e estuprada pelo pai depõe ao júri

Relato de Elisabeth foi gravado em vídeo porque vítima não queria ter de ver novamente o agressor

The Guardian, SANKT-POLTEN, ÁUSTRIA, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

Elisabeth Fritzl - a austríaca que teve sete filhos nos 24 anos que ficou em cárcere privado, sendo sucessivamente estuprada pelo pai, Josef Fritzl, de 73 anos - prestou ontem seu primeiro depoimento ao júri de Sankt-Polten, a leste de Viena. A vítima, entretanto, não quis comparecer ao tribunal para não ter de ver Fritzl novamente. Seu testemunho - que durou cerca de 11 horas - foi gravado em vídeo.Acusado de incesto, cárcere privado, escravidão, estupro e assassinato de um dos filhos que teve em 1996 com Elisabeth, o austríaco deve ter sua sentença anunciada amanhã. Caso seja condenado pela morte da criança, ele passará o restante da vida na prisão. A acusação de escravidão prevê pena de 20 anos; a de estupro, 15 anos; e a de incesto, 1 ano. Fritzl confessou ter praticado incesto e mantido sua filha presa entre 1984 e 2008. Mas declarou-se apenas "parcialmente culpado" de escravidão e estupro. A acusação de assassinato foi rejeitada.O réu assistiu ao depoimento de sua filha "de maneira muito cuidadosa e atenta, respondendo às questões do juiz", declarou Franz Cutka, porta-voz da corte. Segundo o advogado de defesa, Rudolf Mayer, "os fatos já estão claros e não deve haver nenhuma surpresa no julgamento".Diferentemente do primeiro dia de depoimentos, Fritzl não escondeu ontem o rosto das câmeras ao entrar no tribunal.?MONSTRO?Durante a sessão de segunda-feira, a promotora do caso, Christiane Burkheiser, apresentou uma caixa com objetos do cativeiro de Elisabeth e convidou o júri a cheirar o conteúdo. Assim, disse Christiane, os responsáveis pelo veredicto teriam a chance de sentir o odor característico da prisão construída para a vítima. O conteúdo exato da caixa não foi revelado à imprensa.A promotora resumiu o dia a dia de Elisabeth: "Acende a luz. Estupro. Apaga a luz. Mofo. Estupro na frente das crianças. Incerteza. Vida. Morte. Estupro." O júri não deveria se deixar enganar pela "cara de bom vizinho" de Fritzl, defendeu Christiane."Um homem que se esforçou tanto para manter duas famílias não pode ser chamado de monstro", argumentou o advogado de defesa, em referência ao tratamento que a mídia tem dispensado a Fritzl. "Se alguém quer uma filha como escrava sexual, essa pessoa não permite que ela traga filhos ao mundo. Ela deixaria as crianças morrerem de fome."Segundo a promotora, Elisabeth era obrigada a respirar dentro do cativeiro "por meio de buracos na parede". Para entrar na prisão construída por Fritzl - engenheiro aposentado -, era preciso agachar-se e "rastejar por um vão de 83 centímetros", contou Christiane. "É sinistro."HORRORChristiane BurkheiserPromotora"Acende a luz. Estupro. Apaga a luz. Estupro na frente das crianças. Mofo. Incerteza. Vida. Morte. Estupro. Esse era o cotidiano de Elisabeth""Ela era obrigada a respirar por meio de buracos na parede"Rudolf MayerAdvogado de defesa"Um homem que se esforçou tanto para manter duas famílias não pode ser chamado de monstro. Se alguém quer uma filha como escrava sexual, não permite que ela traga filhos ao mundo"

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