Austríaco confessa todos os crimes

Fritzl diz ter se comovido com o depoimento da filha violentada

NYT E THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2009 | 00h00

Em uma reviravolta no julgamento do austríaco que manteve sua filha presa por 24 anos, sendo continuamente violentada, o agressor Josef Fritzl confessou todos os crimes dos quais é acusado: incesto, cárcere privado, estupro, escravidão e homicídio - este pela morte, por omissão de socorro, de um dos sete bebês que teve com a vítima no cativeiro. Segundo o réu, o depoimento na terça-feira de sua filha, Elisabeth, aprisionada quando tinha 18 anos, levou-o a admitir os crimes. Veja linha do tempo com detalhes dos 24 anos em que Elizabeth ficou presaA confissão foi feita na sessão de ontem do julgamento, após a juíza Andrea Humer perguntar se Fritzl desejava acrescentar alguma informação ao caso. "Reconheço que sou culpado", disse. "E me arrependo por meu comportamento doentio." Andrea, então, o questionou sobre o motivo da súbita confissão. "Confesso por causa do depoimento (de terça-feira) de minha filha", respondeu. Elisabeth depôs no segundo dia de julgamento por meio de vídeo - porque não queria ver novamente o pai. Seu testemunho durou cerca de 11 horas.Engenheiro aposentado de 73 anos, Fritzl manteve a filha em cativeiro entre 1984 e 2008. O austríaco, entretanto, havia negado responsabilidade pela morte de um dos gêmeos que teve com a filha em 1996. Ontem, ele voltou atrás e admitiu não ter prestado socorro à criança."Você não reparou que ele (o bebê) estava gravemente doente?", perguntou a juíza. Fritzl respondeu calmamente: "Eu apenas o olhei de relance. Pensei que a criança sobreviveria. Só ontem (anteontem) percebi pela primeira vez como fui cruel com Elisabeth. "O austríaco já havia admitido ter incinerado o corpo da criança no quintal de sua casa. O outro gêmeo, Alexander, foi retirado do porão e criado por Fritzl e sua mulher. Ela acreditou na versão do marido, segundo a qual Elisabeth havia entrado numa seita aos 18 anos e dado três filhos para que os "avós" criassem. Os outros três seguiram no cativeiro com a mãe.A confissão de homicídio não garante a condenação do réu, mas é grande a probabilidade de Fritzl ser apontado pelos oito membros do júri como culpado pela morte e sentenciado à prisão perpétua. O veredicto deve ser anunciado hoje.''PLAYGROUND'' DO HORRORTambém ontem, o réu admitiu culpa integral nas acusações de estupro e escravidão. Até então, ele tinha dito que era apenas "parcialmente culpado" por violentar e escravizar a filha.Segundo a acusação da promotoria, Fritzl prendeu Elisabeth em 29 de agosto de 1984, após amordaçá-la e levá-la ao porão de sua casa, em Amstetten. A filha foi acorrentada a uma cadeira, para que não pudesse fugir do cativeiro. No dia seguinte, ele começou a estuprá-la, prática que manteria nos 24 anos seguintes, até mesmo diante dos filhos.Segundo a promotora Christiane Burkheiser, "a cela era o playground de Fritzl e sua filha, seu brinquedo". O cativeiro foi descoberto no ano passado, quando uma das filhas que ali vivia, de 19 anos, ficou doente. Fritlz levou-a a um hospital e os médicos desconfiaram de seu aspecto - ela era pálida demais, pois nunca tinha visto a luz do dia. Em seguida, o engenheiro foi preso.

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