Austríaco pega prisão perpétua

Engenheiro que estuprou a filha mantida em cativeiro por 24 anos cumprirá pena em unidade psiquiátrica

NYT, SANKT-POELTEN, ÁUSTRIA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

Acusado de ter prendido sua filha Elisabeth por 24 anos, estuprando-a sucessivamente, e causado a morte de uma das sete crianças que teve com a vítima, Josef Fritzl foi condenado ontem à prisão perpétua por decisão unânime dos oito membros do júri. O austríaco foi responsabilizado por todas as cinco acusações da promotoria - incesto, estupro, cárcere privado, escravidão e homicídio - e deverá cumprir a sentença numa unidade psiquiátrica.Na quarta-feira, Fritzl causou uma reviravolta no processo ao confessar todos os crimes, entre eles o assassinato por omissão de socorro de um gêmeo recém-nascido que teve com a filha. Foi a morte por negligência da criança a condenação que teve a sentença mais dura: prisão perpétua. Juntas, as demais acusações tinham pena de até 20 anos. De acordo com a lei austríaca, condenações por diferentes crimes são cumpridas simultaneamente.Fritzl saiu calado do tribunal, cercado de policiais. Segundo seu advogado, Rudolf Mayer, ele não recorrerá da sentença. A condenação de ontem foi a "consequência lógica de sua admissão de culpa de quarta-feira", disse Mayer.Por causa de sua idade, 73 anos, é improvável que Fritzl obtenha benefícios para deixar a prisão. Segundo Franz Cutka, porta-voz da corte, o austríaco teoricamente poderia, depois de passar 15 anos preso, ter sua liberdade condicional avaliada por três juízes. Não foi decidida a prisão psiquiátrica que abrigará Fritzl. Por enquanto, ele permanecerá detido em Viena.Antes de o veredicto ser anunciado, o engenheiro aposentado fez um apelo ao júri. "Arrependo-me do fundo do meu coração pelo que fiz com minha família. Infelizmente, não posso mudar isso agora. Só sou capaz de tentar limitar o estrago que já foi feito", disse Fritzl. A promotoria rebateu: "Não deixe que ele os engane, como fez com Elisabeth há 24 anos."Em 1984, o austríaco prendeu sua filha de 18 anos no porão de sua casa. Ele disse a parentes que ela sumira porque tinha aderido a uma seita. Violentando-a em média uma vez a cada três dias, Fritzl teve sete filhos com a vítima. O caso foi descoberto no ano passado, quando ele levou uma das crianças - que nunca tinha visto a luz do dia - ao hospital, levantando suspeitas dos médicos.CONDENAÇÕES Homicídio: Fritzl não socorreu um bebê que teve com a filha. A criança acabou morrendoCárcere privado e escravidão: O austríaco manteve Elisabeth no cativeiro de 1984 a 2008 Estupro e incesto: Segundo estimativas, Fritzl estuprou sua filha quase 3 mil vezes

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