Austríaco que abusou de filha se declara culpado de incesto

No primeiro dia de julgamento, Fritzl diz-se inocente da morte de um bebê que teve com Elisabeth

REUTERS, EFE E AP, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

Aparentando tranquilidade, o austríaco Josef Fritzl declarou-se ontem culpado de incesto e cárcere privado de sua filha Elisabeth, a quem manteve presa no porão de sua casa durante 24 anos, e de três dos sete filhos que teve com ela. Fritzl, no entanto, afirmou - no primeiro dia de seu julgamento - ser "parcialmente culpado" do crime de estupro e inocente das acusações de escravizar Elisabeth e assassinar um dos bebês que teve com ela. A criança teria morrido poucos dias após o parto por falta de assistência médica. Elisabeth, hoje com 42 anos, deu à luz sete filhos, resultados da relação incestuosa. Assista ao vídeo com as primeiras imagens do julgamento de Josef Fritzl na ÁustriaO aposentado de 73 anos entrou na sala de audiências com o rosto escondido por um fichário e escoltado por seis policiais. Foi sua primeira aparição pública desde que foi detido, em abril. A partir de hoje, o julgamento transcorrerá a portas fechadas. O veredicto deve ser anunciado até sexta-feira. O crime de assassinato pode resultar em prisão perpétua, mas o incesto tem pena máxima de 1 ano de detenção.A principal testemunha do caso será a própria Elisabeth - ela gravou um depoimento de 11 horas, que será mostrado em vários trechos. Ela não quis comparecer ao julgamento para não precisar ver o pai. Rosemarie, mulher de Fritzl e mãe de Elisabeth, recusou-se a testemunhar. Segundo a polícia, ela criou três dos filhos que Elisabeth teve com o pai, acreditando que a filha os havia abandonado e sem conhecer a verdade sobre a paternidade das crianças. Ao ser resgatada, Elisabeth contou que começou a sofrer abusos do pai quando tinha 11 anos. Aos 18 anos, o pai a prendeu no porão, onde passou os primeiros meses algemada. Durante nove anos ficou confinada num único cômodo. Seus filhos sempre testemunhavam os abusos sexuais cometidos por Fritzl. Os três que ficaram com ela no porão nunca haviam visto a luz do sol até serem libertados. Após sequestrar a filha, Fritzl disse à família que ela havia fugido para viver numa seita.Engenheiro, Fritzl construiu um porão à prova de som e reforçou a única porta do local. A defesa tentará apagar a imagem de monstro associada a Fritzl, alegando que ele pôs a vida da filha de 19 anos acima de sua própria segurança. Ele só foi descoberto porque a menina ficou doente e ele a tirou do cativeiro para levá-la ao hospital.

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