Austríacos em greve contra reforma previdenciária

No maior protesto trabalhista das últimas décadas, trens de carga, ônibus e bondes pararam nesta terça-feira por toda a Áustria. Os trabalhadores das empresas estatais entraram em greve contra os planos do governo de cortes nas pensões dos idosos.Funcionários de dezenas de empresas privadas também aderiram à paralisação, convocada pela Federação Austríaca de Sindicados Trabalhistas, contra as reformas previdenciárias que, em alguns casos, cortam os benefícios em 30%. As greves no trânsito tiveram pouco efeito sobre o conjunto da população, já que se restringiram a poucas horas. Os congestionamentos não foram piores que o usual, embora o número de bicicletas nas ruas tenha aumentado.O tráfego de patins também foi alto, e muitos austríacos se valeram de botas e mochilas de alpinismo para caminhar até o trabalho, saindo dos subúrbios. A despeito dos pequenos efeitos visíveis, a greve tem um significado político imenso, anunciando o fim de um consenso de mais de 50 anos entre governo e trabalhadores. Os trabalhadores austríacos do pós-guerra contam com benefícios sociais generosos, como aposentadorias pagas pelo governo que podem exceder 80% do último salário.Em defesa das reformas, o governo atual afirma que o Estado não pode mais arcar com esquemas de pensão tão generosos. Mudanças incluiriam a penalização dos chamados ?aposentados prematuros?, que param de trabalhar antes dos 60 anos. Essas pessoas sofreriam reduções drásticas em seus benefícios. Aposentadoria integral seria reservada para as pessoas que pedissem a pensão aos 65 anos (homens) e 60 (mulheres).

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