Autocensura no Equador leva mídia a vetar peça crítica a Correa

A autocensura adotada por um número cada vez maior de empresas de comunicação e jornalistas no Equador fez com que uma campanha crítica ao presidente Rafael Correa não fosse veiculada no sábado, dia mundial da liberdade de imprensa.

QUITO, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2014 | 07h01

Produzida pela Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-Ifra, na sigla em inglês), a ação era composta por três imagens: duas sobre a prisão de jornalistas na China e na Etiópia e outra sobre a intimidação promovida pelo governo equatoriano ao abrir processos contra jornais e jornalistas, alegando difamação.

Em entrevista ao blog do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, o diretor da Associação Equatoriana de Editores de Jornais (AEDEP, em espanhol), Diego Cornejo, disse que as três imagens foram enviadas para vários jornais do país. "Os que publicaram as imagem da WAN-Ifra exibiram apenas as alusivas à China e à Etiópia", afirmou Cornejo.

Ao mesmo blog, uma editora de um dos principais jornais do Equador, que preferiu não se identificar com medo de sofrer punições, disse que a decisão de não usar a imagem foi consequência do medo de o jornal ser multado ou enfrentar outros problemas legais. "É um exemplo da autocensura imposta pela Lei de Comunicação (aprovada em junho) que, ironicamente, condena a censura apenas das palavras já que a criação de instâncias especiais de julgamento para as empresas de comunicação e para os jornalistas provoca autocensura."

Para o secretário-geral da WAN-Ifra, Larry Kilman, a falta de discussão sobre a situação da imprensa no país revela o controle que as autoridades conseguiram sobre o debate público. "O governo impõe sua posição e estabelece a agenda de temas ao definir quais são de interesse público e quando debatê-los. Estão pondo em prática uma estratégia de marginalizar todas as vozes independentes", disse Kilman.

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