New York State Division of Criminal Justice Services/REUTERS
New York State Division of Criminal Justice Services/REUTERS

Autópsia de Epstein confirma suicídio por enforcamento

Morte misteriosa de bilionário em prisão federal suscitou teorias de conspiração; Donald Trump chegou a sugerir que Epstein teria sido assassinado

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 18h32
Atualizado 16 de agosto de 2019 | 21h55

NOVA YORK - A autópsia realizada no corpo Jeffrey Epstein determinou que o bilionário americano se suicidou por enforcamento, informou nesta sexta-feira, 16, o departamento de medicina legal de Nova York, dissipando dúvidas sobre esta morte, que se transformou em um escândalo nacional.

Depois de "um exame meticuloso de toda a informação, incluindo os resultados completos da necropsia", a chefe de medicina legal de Nova York, Barbara Sampson, confirmou em uma curta declaração por e-mail à Agência France Press, que Epstein se suicidou por "enforcamento".

O resultado foi divulgado seis dias depois de o homem de 66 anos, acusado de exploração sexual de menores, ter sido encontrado morto em sua cela em uma prisão de Manhattan, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores entre 2002 e 2005. 

Ele negava as acusações e, caso fosse condenado, poderia pegar 45 anos de prisão. 

Funcionários anônimos citados pelo jornal The New York Times disseram que ele usou seus lençóis para se enforcar.

A morte do magnata, que estava detido em um dos centros penitenciários mais seguros do país, causou revolta nos Estados Unidos, suscitando dúvidas e teorias da conspiração

Embora as autoridades tenham apontado no sábado um aparente suicídio, muitos insinuaram que ele havia sido assassinado para proteger as muitas personalidades com quem ele se relacionava, do príncipe Andrew ao ex-presidente americano Bill Clinton e o atual ocupante da Casa Branca, Donald Trump.

O próprio presidente dos EUA chegou a compartilhar uma publicação que sugeria que Epstein havia sido assassinado. O laudo para enforcamento confirma a hipótese de suicídio.

A confirmação do suicídio está longe de responder todas as perguntas sobre como um dos presos de mais alto perfil do país pôde ter se matado.

O procurador geral dos Estados Unidos, William Barr, lançou no mesmo sábado duas investigações que revelaram "sérias irregularidades" na prisão

Embora não as tenha detalhado, o diretor foi transferido e os dois guardas encarregados de vigiar Epstein na noite de sexta e sábado foram suspensos.

Os funcionários da prisão citados pelo The New York Times disseram que os guardas haviam dormido três horas quando se supunha que deveriam fazer rodadas a cada meia hora. 

Dias antes de sua morte, em 23 de julho, Epstein havia sido encontrado jogado no chão de sua cela com marcas no pescoço, após uma aparente tentativa de suicídio.

Depois deste episódio, foi colocado sob vigilância especial, mas só até 29 de julho.

Diante da indignação das supostas vítimas do bilionário, o departamento de Justiça prometeu continuar as investigações das acusações, assim como os possíveis cúmplices, a começar por sua amiga próxima, Ghislaine Maxwell, acusada por várias demandantes de ter recrutado escravas sexuais para sua rede e participado de alguns abusos. 

Seu paradeiro é desconhecido, mas o jornal New York Post publicou nesta sexta fotos que pareciam mostrá-la no terraço de um restaurante de Los Angeles, mas sem especificar as datas das imagens. 

Epstein era acusado de exploração sexual de menores de idade e outro de associação para explorar sexualmente menores de idade entre 2002 e 2005. Ele estava preso no Centro Corretivo Metropolitano de Manhattan desde o dia 6 de julho.

Epstein já havia sido acusado de crimes sexuais em 2008 no Estado da Flórida, por pagar uma adolescente para ter relações. Na época, ele teria entrado em um acordo extrajudicial com o então promotor do estado Alexander Acosta, para não ser indiciado.

Acosta foi secretário do Trabalho do governo Trump até o dia 12 de julho, quando renunciou por causa do escândalo/ AFP

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