REUTERS/Andres Martinez Casares
REUTERS/Andres Martinez Casares

Autópsia de ex-secretário de petroleira venezuelana descarta possibilidade crime

Juan Carlos Márquez, secretário do Conselho de Administração e da Assembleia de Acionistas da PDVSA no governo de Hugo Chávez, foi encontrado morto dois dias depois de começar a colaborar com investigação sobre lavagem de dinheiro

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 14h42
Atualizado 23 de julho de 2019 | 15h40

MADRID - O relatório preliminar da autópsia de Juan Carlos Márquez, ex-secretário da petroleira venezuelana PDVSA durante o governo de Hugo Chávez que apareceu enforcado com o próprio cinto em Madri, concluiu que ele tirou a própria vida.

Essas conclusões foram enviadas nesta terça-feira, 23, ao juiz encarregado do caso, disseram fontes judiciais ouvidas pelas agência EFE depois do estudo forense do corpo de Márquez pelo Instituto Anatômico Forense de Madri.

Ele havia sido preso na quinta-feira, 18, no aeroporto Madrid-Barajas depois de aterrissar em um voo procedente do Panamá, no contexto de uma investigação sobre lavagem do ex-embaixador da Espanha na Venezuela Raúl Morodo sobre a qual passou a oferecer colaboração ao Tribunal Nacional espanhol.

Seu corpo foi encontrado no domingo enforcado o próprio cinto em seu escritório na consultoria Alcander S.L., localizada em San Sebastián de los Reyes, ao norte de Madri.

Uma carta de despedida também foi encontrada no local e passa por análise de especialistas para determinar se foi escrita pelo próprio Márquez.

Desconhecido

A vida e os feitos de Juan Carlos Márquez, que dirigiu a PDVSA de 2004 a 2013, são um mistério, já que não há muitas imagens do ex-funcionário da estatal venezuelana envolvido em uma trama de corrupção que movimentou milhões de dólares.

O nome de Márquez, advogado de profissão, aparece em vários documentos da PDVSA, empresa em que atuou como secretário do Conselho de Administração e da Assembleia de Acionistas da Petróleo da Venezuela.

Ele ocupou o cargo quando Rafael Ramírez, considerado um dos homens fortes no governo Chávez, presidiu a estatal. Nesse período, Ramírez também ocupou o cargo de Ministro do Poder Popular de Petróleo e Mineração.

Ramirez manteve os dois cargos após a morte de Chávez em 2013, mas poucos meses depois de Nicolás Maduro assumir o poder ele substituído no ministério e nomeado embaixador na ONU. Em 2017, ao romper com Maduro, vários processos legais foram abertos contra ele e outros funcionários do seu entorno.

Márquez estava no círculo de amigos de Ramírez, mas era um desconhecido para os jornalistas que acompanham a companhia estatal de petróleo há anos.

Exceto por alguns documentos em que ele aparece como signatário na qualidade de funcionário da PDVSA, pouco se sabe sobre esse advogado, que nem sequer tem perfis nas redes sociais mais populares.

De acordo com alguns relatórios, Márquez manteve na Espanha uma empresa para oferecer serviços jurídicos e uma empresa para a administração de imóveis. / EFE

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