Autópsia mostra que Kadafi foi morto por tiro na cabeça

Uma autópsia concluída neste domingo confirmou que o ditador líbio Muamar Kadafi foi morto por um tiro na cabeça, afirmou o patologista chefe do país, Dr. Othman al-Zintani, horas antes dos novos líderes da Líbia declararem a libertação do país e o final formal da guerra civil de oito meses para derrubar o antigo regime.

CLARISSA MANGUEIRA, Agência Estado

23 de outubro de 2011 | 11h33

A declaração dará início à um processo de transição para a democracia, que é cheio de incertezas e pode levar até dois anos.

Al-Zintani não forneceu mais detalhes sobre os momentos finais de Kadafi, afirmando que primeiro entregará um relatório completo ao procurador-geral.

No entanto, a preocupação internacional sobre as circunstâncias da morte de Kadafi e a indecisão sobre o que fazer com restos mortais ofuscaram o que era para ser um dia alegre. O corpo do ex-ditador foi exposto ao público em um freezer comercial em um shopping center na cidade portuária de Misrata, que sofreu um cerco sangrento pelas forças de Kadafi durante a primavera.

O ex-ditador, de 69 anos, foi capturado ferido, mais vivo, na quinta-feira em Sirte, sua cidade natal e a última a ser tomada pelas forças revolucionárias.

Imagens sangrentas de Kadafi sendo insultado e espancado por seus captores têm levantado dúvidas sobre se ele foi morto durante fogo cruzado, como foi sugerido por funcionários do governo ou executado deliberadamente.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia estava previsto para declarar mais tarde neste domingo que o país foi finalmente libertado das forças de Kadafi. A cerimônia deverá ser realizada na cidade de Benghazi, onde a rebelião começou em fevereiro.

O primeiro-ministro da Líbia, Mahmoud Jibril, que prometeu deixar o cargo após a liberação do país, afirmou que o CNT precisa agir rapidamente para desarmar os ex-rebeldes líbios e assegurar que as armas sejam entregues nos próximos dias. Mas o governo interino não explicou em detalhes sobre como executaria a tarefa.

Jibril disse à British Broadcasting Corp., que "no âmbito pessoal eu desejava que (Kadafi) estivesse vivo" para que ele pudesse enfrentar perguntas do povo líbio após décadas de um duro governo. Ele afirmou que não iria se opor a uma investigação completa sob supervisão internacional sobre a morte do ex-ditador.

Jibril afirmou à agência de notícias AFP que governo interino da Líbia vai entregar o corpo de Kadafi aos parentes do ex-ditador após consultá-los sobre o local de seu sepultamento. As informações são da Associated Press e Dow Jones.

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