Anna Moneymaker/The New York Times
Anna Moneymaker/The New York Times

Autor de artigo de impeachment contra Trump luta pela destituição após perder filho

Deputado Jamie Raskin se viu refugiado na Câmara de uma multidão violenta incitada pelo presidente Donald Trump e temendo pela segurança de outra filha que o acompanhou ao Capitólio para testemunhar a certificação da vitória de Joe Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2021 | 05h00

No último dia de 2020, Tommy Raskin, um estudante de direito da Universidade de Harvard de 25 anos, ativista da justiça social, amante dos animais e poeta, concluiu que a dor do mundo era muito profunda para ele. Deixou um pedido de desculpas aos pais, com instruções: “Por favor, cuidem uns dos outros, dos animais e dos pobres do mundo por mim”.

Tommy foi enterrado na semana passada. No dia seguinte, seu pai, o deputado Jamie Raskin, se viu refugiado com seus colegas na Câmara de uma multidão violenta incitada pelo presidente Donald Trump, e temendo pela segurança da filha que o acompanhou ao Capitólio para testemunhar a certificação da vitória de Joe Biden.

Horas depois, Raskin, que lidera os esforços de impeachment, estava trabalhando na redação de um artigo com a multidão gritando e o apelo final do filho em sua mente. “Vou passar o resto da minha vida tentando seguir essas instruções”, disse o democrata de Maryland em uma entrevista na segunda-feira, lendo em voz alta o bilhete de despedida enquanto refletia sobre a dor de sua família e a confluência de eventos. “Mas o que estamos fazendo esta semana é cuidar de nossa amada república.”

O ex-professor de direito constitucional, filho de um conhecido intelectual liberal e ativista antiguerra, preparou toda a sua vida para esse momento. 

Raskin, de 58 anos, é uma figura reconhecível do Capitólio – ele já foi descrito como alguém com aparência de um cientista louco e, depois disso, começou a alisar o cabelo. Ele tem um entusiasmo pela Constituição e pela história americana e está mergulhado no ativismo desde que era criança. Seu pai, Marcus Raskin, morto em 2017, era assessor do presidente John F. Kennedy e veemente oponente da Guerra do Vietnã.

Na madrugada de quinta-feira, horas após a invasão do Capitólio, Raskin condenou “o ataque infundado” e disse que ele lhe trouxe à mente o homônimo de seu filho e um dos pais fundadores dos EUA, Thomas Paine. “Paine disse: ‘Nas monarquias, o rei é a lei, mas nas democracias, a lei reinará’.” /NYT 

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