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Autor de livro sobre morte de Bin Laden nega ter violado segredo

Advogado-chefe do Departamento de Defesa afirma que publicação de 'No Easy Day' viola acordos de confidencialidade

Reuters,

31 de agosto de 2012 | 18h56

WASHINGTON - Um dia depois de ameaçar com um processo judicial o ex-militar Matt Bissonnette, que escreveu um livro contando a ação que resultou na morte de Osama bin Laden, autoridades dos Estados Unidos ainda debatem se há base suficiente para isso. Mas o advogado de Bissonnette, Robert Luskin, disse nesta sexta-feira, 31, que ele manteve "seriamente" seu dever de proteger segredos governamentais, garantindo que eles não entrariam no livro.

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Na quinta-feira, o advogado-chefe do Departamento de Defesa, Jeh Johnson, enviou uma carta a "Mark Owen", pseudônimo do autor, e à sua editora, Penguin Putnam, alertando-os que a publicação de "No Easy Day" violará acordos de confidencialidade assinados por Bissonnette quando era membro do Seal, uma força especial da Marinha que participou da caçada a Bin Laden. A carta dizia que o Pentágono estava "considerando" uma ação judicial contra o autor e seus colaboradores.

Luskin respondeu dizendo que o acordo de confidencialidade "convida, mas de maneira alguma exige, que o senhor Owen submeta materiais a uma revisão pré-publicação". Ele também argumentou que Owen "adquiriu o direito de contar a sua história."

Autoridades norte-americanas de Defesa e Inteligência familiarizadas com deliberações internas do governo sobre o livro admitiram que as questões legais e factuais acerca do seu conteúdo são complexas. Por isso, disseram, ainda não está claro se o governo dos Estados Unidos levará adiante o processo contra o autor e sua editora, uma subsidiária do grupo britânico Pearson. Mesmo que o processo seja iniciado, disseram as fontes, pode fracassar.

Um funcionário familiarizado com diversas investigações sobre vazamentos de informações observou que a carta de Johnson não acusa diretamente o autor de ter divulgado informações sigilosas, o que indicaria uma possível investigação criminal. "Também é interessante que, segundo a carta, para processar por danos (civis) eles teriam de demonstrar que ele não só violou o acordo como também que, de fato, revelou informações sigilosas. Acho que isso será difícil por muitas razões."

"Talvez eles estejam só tentando assustá-lo", acrescentou a fonte. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, George Little, porta-voz do Pentágono, disse que o livro continua sendo submetido a uma revisão oficial. 

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