Peter Foley/Efe
Peter Foley/Efe

Autor de livro sobre operação que matou Bin Laden dá 1ª entrevista

Seal contra outra versão da morte do líder da Al-Qaeda; Pentágono já o ameaçou com processo

BBC Brasil, BBC

10 de setembro de 2012 | 13h36

WASHINGTON - Um integrante dos Seals, força de elite que matou Osama bin Laden, revelou em uma entrevista nesta segunda-feira, 10, detalhes da morte do líder da rede extremista Al-Qaeda, em maio de 2011, em um esconderijo no Paquistão. Em entrevista à rede de TV CBS, Mark Owen, que usa um pseudônimo, adiantou algumas das informações de seu livro No Easy Day (Um Dia Nada Fácil, em tradução livre), sobre a operação que culminou na morte do então homem procurado do mundo.

 

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Na entrevista ao programa "60 Minutes", Owen manteve sua versão de que o ex-chefe da rede extremista internacional Al-Qaeda foi baleado tão logo saiu de seu quarto, contrariando o relato oficial, segundo o qual o saudita teria sido alvo de tiros somente após ter voltado ao quarto. O Pentágono se pronunciou e disse que pode processá-lo por divulgar segredos militares.

'Não podiam ver suas mãos'

 

Identificado pela imprensa americana como Matt Bissonnette, o integrante dos Seals defendeu a decisão de atirar. "Se alguém coloca a cabeça para fora do quarto pode muito bem ter uma arma. Você não espera até que um rifle ou uma granada seja lançada pelo corredor, ou que (apareça) um colete suicida", acrescenta. Ele disse que Bin Laden ainda estava se movendo após o primeiro tiro e foi baleado novamente quando os Seals entraram no quarto.

"(Os Seals) não podiam ver suas mãos. Então ele poderia ter algo. Poderia ter tido uma granada ou algo embaixo do seu peito".

 

O governo americano reitera sua versão oficial de que o saudita só foi baleado após ter voltado ao quarto, o que teria despertado nos militares o temor de que ele poderia ter armamentos.

'Quebra de sigilo'

Owen também mencionou um encontro entre o presidente Barack Obama e os Seals, quando o grupo de elite decidiu não revelar ao líder o responsável pela morte de Bin Laden. "Puxar um gatilho é fácil... Não se trata de quem foi essa pessoa, foi um trabalho de equipe, que fez tudo isso funcionar", disse. "Quem se importa com quem foi essa pessoa? Não faz diferença", acrescentou.

O livro não foi revisado pelo Pentágono, CIA ou a Casa Branca antes de ser publicado e autoridades haviam alertado o autor sobre possíveis acusações criminais que poderiam resultar da divulgação de informações secretas.

 

Jeh Johnson, conselheiro geral do Pentágono, enviou uma carta ao autor informando-lhe que "no julgamento do Departamento da Defesa, você está em violação concreta dos acordos de sigilo que assinou". A carta acrescenta ainda que o Pentágono está considerando "todas as medidas legais disponíveis para nós".

 

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