Naohiko Hatta/AP
Naohiko Hatta/AP

Autor de massacre em clínica japonesa detalhou planos para ataque em carta

Satoshi Uematsu relatou como ação seria realizada e seus motivos para o crime em uma mensagem enviada a um deputado japonês em fevereiro

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2016 | 09h32

TÓQUIO - O autor do massacre em uma clínica para pessoas com defiência no Japão detalhou seus planos e motivos para o ataque, em uma carta enviada a um deputado japonês em fevereiro e publicada nesta quarta-feira, 27, pelos veículos de imprensa do país.

Satoshi Uematsu, suspeito de deixar 19 mortos e 26 feridos no ataque de terça-feira, explicou como iria realizá-lo em uma carta que foi objeto de uma investigação policial e que motivou sua internação temporária em um hospital psiquiátrico.

"O plano será realizado durante o turno da noite, quando há pouco pessoal. Os alvos serão duas instalações onde residem muitos deficientes múltiplos. Os trabalhadores em serviço serão algemados com fios para que não possam se movimentar e nem fazer algum tipo de ligação", afirma a carta com a data de 14 de fevereiro.

"O ato será executado com rapidez e sem atingir em absoluto os funcionários. Após eliminar 260 pessoas nas duas instalações, me entregarei", explicou Uematsu, que então fez vários pedidos para as autoridades, entre eles o de cumprir uma condenação de dois anos e "ser livre" depois.

Uematsu cometeu o ataque em uma clínica para pessoas com deficiência na cidade de Sagamihara, na Província de Kanagawa, da qual havia sido funcionário do final de 2012 até fevereiro deste ano. Ele se entregou em uma delegacia perto da clínica, levando as facas utilizadas na ação.

A carta foi dirigida a Tadamori Oshima, deputado de Kanagawa, mas teve de ser entregue a um policial pois não podia entregar pessoalmente ao político, segundo informações da emissora estatal NHK.

"Decidi agir hoje pelo bem do Japão e do mundo", afirma o suspeito na carta, em que acrescenta que sua meta é "conseguir um mundo no qual as pessoas com deficiências múltiplas possam receber a eutanásia (...)". "Acho que atualmente não há nenhuma solução para o modo em que vivem as pessoas com deficiências múltiplas. As pessoas com deficiência só podem criar miséria", acrescenta.

Além da carta, Uematsu havia anunciado suas intenções a seus colegas de trabalho e a alguns de seus conhecidos, o que o levou a ser investigado pela polícia e submetido a testes psiquiátricos.

Os médicos especialistas consideraram que ele poderia ser perigoso e decidiram interná-lo em um centro psiquiátrico em meados de fevereiro - mesma época em que Uematsu abandonou seu emprego na clínica -, embora tenha recebido alta 12 dias depois.

As autoridades concluíram, então, que seu estado havia melhorado e que já não representava risco, segundo explicou em entrevista coletiva um porta-voz de Sagamihara.

O massacre comoveu o Japão por se tratar de um dos crimes mais sangrentos de sua história recente. / EFE

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