Autor de massacre na Noruega é declarado 'insano'

Psiquiatras afirmam que Anders Behring Breivik, responsável pela morte de mais de 70 pessoas, é incapaz de ser julgado

OSLO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h05

Psiquiatras consultados pela Justiça da Noruega concluíram ontem que Anders Behring Breivik, o atirador de extrema direita que matou 77 pessoas em julho, é mentalmente incapaz de ir a julgamento. Se a corte aceitar as conclusões dos psiquiatras, Breivik poderá ficar internado por toda sua vida - caso a Justiça considere que ele representa um perigo para a sociedade. Ele poderia ser liberado do tratamento caso se conclua que se tornou mentalmente saudável.

"A conclusão é que ele é insano", disse o procurador Svein Holden. "Ele vive em seu próprio universo ilusório e seus pensamentos e atos são governados por esse universo."

De acordo com o procurador, na época dos ataques, Breivik tinha um quadro de esquizofrenia paranoica e acreditava que tinha o poder de decidir "quem deveria viver e quem deveria morrer". Além disso, ele se considerava "o cavaleiro mais perfeito desde a 2.ª Guerra" e disse ter cometido o massacre "por amor ao seu povo".

Os dois psiquiatras que deram seus pareceres sobre a responsabilidade penal de Breivik, Synne Serheim e Torgeir Husby, concluíram que o autor do massacre era psicótico e, portanto, penalmente irresponsável.

Análise. O relatório será agora analisado por uma comissão médico-legal para assegurar que o documento atende a todas as exigências profissionais. A última palavra sobre a responsabilidade penal de Breivik virá do tribunal, que geralmente segue as recomendações dos especialistas. "Se a conclusão final estabelecer que Behring Breivik era irresponsável, ao término do processo solicitaremos ao tribunal que ele receba um tratamento mental obrigatório", disse a promotora Inga Bejer Engh antes de explicar que o tratamento pode ser "perpétuo". Um juiz deverá decidir a cada três meses se mantém Breivik internado. Se for tratado por psicose, poderá, teoricamente, ser transferido para uma prisão caso ainda seja considerado uma ameaça para a sociedade ou colocado em liberdade no caso contrário.

Hostil ao Islã e ao multiculturalismo na Europa, Breivik explodiu uma bomba perto de um prédio do governo norueguês. Depois, vestido de policial, atirou por aproximadamente uma hora e meia contra jovens que participavam de um evento na Ilha de Utoya.

Apesar de ter assumido a autoria dos ataques, Behring Breivik rejeita se declarar culpado. Afirma que foi um ato de guerra e diz que seu gesto, mesmo que atroz, foi necessário.

O início do julgamento de Breivik está previsto para 16 de abril e deve durar cerca de dez semanas. / AFP e REUTERS

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