Peter Kemp/AP Photo
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Autor de um dos piores ataques atribuídos ao IRA no Reino Unido é preso

O suspeito, de 65 anos, foi detido em virtude da legislação antiterrorista do país

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 16h27

LONDRES - A polícia britânica anunciou, nesta quarta-feira, 18, a detenção de um homem responsável por um dos mais graves atentados no Reino Unido,  atribuído aos republicanos norte-irlandeses do IRA, cometido em 1974 em dois pubs de Birmingham e com saldo de 21 mortos.

"Um homem foi preso em relação às investigações dos assassinatos de 21 pessoas no ataque de 1974 nos pubs de Birmingham", informou a polícia de West Midlands, em um tuíte.

O suspeito, de 65 anos, foi detido em virtude da legislação antiterrorista, e sua casa estava sendo revistada, acrescentou a mesma fonte.

O atentado, que teve como alvo dois pubs dessa cidade no centro da Inglaterra, o Mulberry Bush e o Tavern in the Town, ocorreu em 21 de novembro de 1974, no auge da violência do IRA contra as autoridades britânicas. O ataque foi atribuído à organização paramilitar republicana que, no entanto, nunca reivindicou a autoria.

Uma investigação inicial da polícia de West Midlands levou à condenação de seis homens à prisão perpétua em 1975.

No entanto, conhecidos como os "seis de Birmingham", foram absolvidos posteriormente em um julgamento de apelação em 1991. O julgamento revelou que eles foram obrigados pela polícia a confessar, produzindo falsos depoimentos.

O chefe da polícia de West Midlands em 2016, Dave Thompson, afirmou que o fato de não ter detido os responsáveis do atentado e a condenação injusta dos seis de Birmingham foi "a decisão mais grave na história deste setor."

Naquele momento, Thompson estava pessimista sobre a possibilidade de os responsáveis pelo atentado serem descobertos e julgados.

"Desde 2012 e diretamente como resultado da campanha das famílias das vítimas, nós reavaliamos cuidadosamente as chances de levar os responsáveis à Justiça. Apesar de uma busca intensa, não conseguimos encontrar, neste momento, uma perspectiva de fazer isso", disse naquele dia.

3.500 mortos em três décadas 

A prisão desta quarta-feira ocorre após a abertura de uma nova investigação em fevereiro de 2019 para determinar as responsabilidades do Estado e das autoridades públicas.

Uma série de investigações realizadas em 2016 revelaram que a polícia estava ciente da preparação deste ataque duplo, mas não o impediu.

Entre 1969 e 1998, mais de 3.500 pessoas morreram no conflito entre republicanos católicos, unionistas protestantes e o exército britânico, principalmente na Irlanda do Norte.

A violência terminou em 1998 graças ao acordo de paz da Sexta-feira Santa. Mas a existência ainda hoje de grupos paramilitares dissidentes continua sendo preocupante.

A saída definitiva do Reino Unido da União Europeia, no fim do período de transição pós-Brexit em 31 de dezembro, pode reativar a atividade desses grupos na Irlanda do Norte, alertou na terça-feira uma comissão independente criada em conjunto pelos governos britânico e irlandês.

Em outubro, um comitê parlamentar britânico alertou que qualquer infraestrutura instalada na fronteira entre a República da Irlanda e Irlanda do Norte após o Brexit criaria um risco de violência ao construir um "alvo" de ataques e um argumento para recrutar por parte dos republicanos dissidentes./AFP

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