AP Photo/Claude Paris
AP Photo/Claude Paris

Autor do atentado em Nice recebeu ajuda e apoio para planejar ataque, diz procurador

Mohamed Lahouaiej Bouhlel teria planejado a ação ‘vários meses antes’ do dia 14 de julho, e teria se beneficiado ‘do apoio e da cumplicidade’ na preparação e execução do ato

O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2016 | 16h28

PARIS - O autor do atentado em Nice na semana passada, o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, contou com cúmplices em sua ação, anunciou nesta quinta-feira, 21, em Paris, o procurador encarregado da investigação, François Molins.

Durante uma coletiva de imprensa, o procurador afirmou que foram feitos avanços notáveis na investigação que envolve ao menos 400 agentes, e que eles descobriram que Bouhlel teria planejado o ataque provavelmente meses antes de realizá-lo.

O autor do ataque teria planejado a ação "vários meses antes" do dia 14 de julho, feriado nacional francês, disse em declarações à imprensa.

As investigações "permitiram não só confirmar ainda mais a natureza premeditada da ação letal de Bouhlel, mas também estabelecer que ele se beneficiou do apoio e da cumplicidade na preparação e execução do ato criminoso", disse Molins.

Dois franco-tunisianos - identificados omo Ramzy A (21 anos) e Mohammed Oualid G. (40) -, um tunisiano - Choukri C. (37) -, e dois albaneses - Artan H. (38) e Ankeneja Z. (42) -, foram apresentados à Justiça sob acusação de conspiração terrorista e homicídios. "Nenhum deles era fichado pelos serviços de inteligência", acrescentou Molins.

A partir da análise do celular do agressor, que revelou muitos contatos entre eles, os suspeitos foram presos, indicou o procurador, que ainda acrescentou que a ligação entre Bouhlel e eles pôde ser estabelecida por meio dos elementos encontrados no caminhão e nas armas.

As impressões digitais de um dos suspeitos foram encontradas na porta do passageiro do caminhão de 19 toneladas, com o qual Bouhlel atropelou e matou 84 pessoas no dia 14 de julho em Nice, na Riviera Francesa, deixando mais de 300 feridos.

Também foram encontradas novas imagens "reveladoras" no celular do terrorista, incluindo uma de um show na Promenade des Anglais e uma foto de um artigo sobre o "captagon", uma droga popular usada por jihadistas responsáveis por ataques terroristas.

Um dos supostos cúmplices de Bouhlel, Mohammed Oualid G., com quem o terrorista conversou por telefone em 1.278 ocasiões no último ano, aparece em duas fotos na cabine do caminhão com o qual cometeu o massacre. Ele enviou uma mensagem em janeiro de 2015, pouco depois do atentado à sede da revista Charlie Hebdo, no qual dizia: "Eu não sou Charlie e estou feliz, enviaram os soldados de Alá para terminar o trabalho".

No dia 4 de abril, outro suposto cúmplice, Choukri C., aconselhou Bouhlel pelo Facebook: "Encha o caminhão, ponha dentro 2 mil toneladas de ferro (...) corte os freios, meu amigo".

A pistola de pequeno calibre que Bouhlel utilizou após atropelar centenas de pessoas em Nice foi obtida por três dos detidos: Ramzy A. e os dois albaneses, segundo Molins. Ele afirmou ainda que houve "contatos" sobre outra arma, um fuzil AK-47 encontrado em um quarto de despejo, mas que ainda não se sabe para que ele seria utilizado. / AFP e EFE

Veja abaixo: Por que a França virou alvo de ataques?Por que a França virou alvo de ataques?

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaNiceTerrorismoEstado Islâmico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.