Reprodução/Twitter
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Suposto autor de atentado na França era ligado a movimento salafista

Ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, disse que Yassim Salhi, de 35 anos, seria responsável pelo ataque em fábrica

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2015 | 08h45

(Atualizada às 11h45) PARIS - O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, confirmou a identidade do suposto autor do atentado de Saint-Quentin Fallavier, a 525 quilômetros a sudeste de Paris. Trata-se de Yassim Salhi, de 35 anos, fichado em 2006 pelos órgãos de inteligência franceses. 

A observação do homem pelas autoridades, porém, foi abandonada em 2008, quando a ficha dele foi encerrada porque as agências francesas de inteligência acreditavam que ele não estava mais ativo nas redes jihadistas. Contou para isso o fato de que o suspeito não tinha antecedentes criminais.

Segundo Cazeneuve, Salhi era ligado ao salafismo, um movimento fundamentalista muçulmano. O suspeito era originário da cidade de Saint-Priest, na região metropolitana de Lyon.

"A identidade do criminoso está sendo alvo de novas investigações, mas nós já sabemos que se trataria de Yassim Salhi, que foi alvo de uma ficha por radicalização em 2006, não renovada em 2008", explicou Cazeneuve em entrevista concedida no local do crime.

Segundo testemunhas do atentado, Salhi teria reivindicado seus atos em nome do grupo terrorista Estado Islâmico. Uma bandeira salafista negra, adotada pelo movimento, foi encontrada ao lado do corpo decapitado. O suspeito foi preso graças à intervenção de um agente do Corpo de Bombeiros, que o imobilizou no momento em que ele tentava abrir recipientes de gás com o objetivo de provocar uma nova explosão no local.

Cazeneuve afirmou ainda que os serviços secretos continuam ativos em todo o país monitorando membros de movimentos jihadistas. "Um grande número de agentes está mobilizado em todo o país para seguir indivíduos que acreditamos que estejam ligados a movimentos jihadistas", garantiu.

Família. O suspeito de cometer o atentado no leste da França trabalhava como entregador de uma empresa, afirmou sua mulher - e mãe de seus três filhos - à emissora de rádio francesa "Europe 1". "Não sei o que aconteceu, ele foi preso? Ele saiu nesta manhã para trabalhar por volta das 7h local (2h, em Brasília). Ele trabalha como entregador. Não voltou para casa entre 12h e 14h e esperava ele à tarde", disse a mulher de Yassin Salhi.

"O meu coração vai parar", acrescentou a mulher, muito emocionada, dizendo que foi sua cunhada que pediu que ela ligasse a TV para ver o que estava acontecendo. "Dizem que é um atentado, mas não é possível. Eu conheço ele, é meu marido, levamos uma vida de família normal. Vai trabalhar e volta. Agora não posso ligar para ele", afirmou a mulher, que disse que seu marido "não tem nenhum interesse" em cometer esse atentado.

Ele disse ainda que sua família é formada por "muçulmanos normais", que nestas semanas seguem o jejum do Ramadã. A esposa do detido convidou as autoridades a revistarem sua casa e reprovou que as mesmas não entraram em contato com ela. "Para quem posso ligar para obter informação? Não entendo nada. Tenho medo de fazer qualquer coisa", ressaltou.

De acordo com fontes de segurança citadas pelas agências internacionais, depois de ser entrevistada pela Europe 1, a mulher do suspeito foi detida pelas autoridades locais no apartamento em que o casal vivia, na cidade de Saint Priest, no subúrbio de Lyon. Além dela, um homem - que teve o rosto coberto - também foi detido no local. / COM AFP e EFE

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